Comportamento

O ritmo lento do gateball

Inspirado no cricket, esporte de origem japonesa que seduz os mais velhos terá mundial no Brasil

Enquanto os brasileiros torciam e se frustravam com a participação da Seleção na Copa da Alemanha, os praticantes de outra modalidade esportiva treinavam por aqui para o campeonato mundial. São atletas que atuam num ritmo muito diferente do futebol: não dão piques vigorosos, não saltam nem chutam. O esporte que praticam é o gateball, um jogo criado no Japão em 1947 e, por aqui, ainda praticado quase exclusivamente por integrantes da colônia. Introduzido no Brasil em 1978, tem cerca de oito mil jogadores no País. A maior parte deles vive em São Paulo, mas em Estados como Paraná e Rio de Janeiro o número de praticantes começa a aumentar. No ano que vem, a capital paulista vai ser a sede do campeonato mundial, antecipando a homenagem ao centenário da imigração japonesa no País, que acontece em 2008. A lentidão dos movimentos e a curta duração das partidas permitem que haja um grande número de praticantes da terceira idade, alguns quase centenários. “O real objetivo do jogo é manter a saúde e consolidar amizades”, define o japonês Kazuchi Sugahara, 71 anos, vice-presidente da União dos Clubes de Gateball do Brasil.

O jogo foi criado no Japão em 1947. Na época, Eiji Suzuki, morador da cidade de Hokkaido, resolveu criar uma brincadeira divertida para amenizar o trauma que se abateu sobre o país após a Segunda Guerra. Ele desenvolveu o esporte a partir do cricket, popular na Inglaterra. Para sua surpresa, o jogo, que deveria ser infantil, despertou o interesse de pessoas mais velhas. “O gateball evita que fiquemos confinados entre quatro paredes”, diz Yosuke Kano, 95 anos. No Brasil, o jogador mais idoso é Kenji Hatai, 97 anos, de São Paulo.

O esporte é praticado ao ar livre, em terreno de saibro ou areia, por duas equipes de cinco integrantes. O objetivo é fazer passar dez bolas dentro de três pequenos arcos (gates, em inglês) através de tacadas. A busca da melhor angulação lembra um pouco a sinuca, mas o jogo exige mais estratégia. As partidas têm meia hora de duração e cada participante é tratado por um termo em japonês. O batedor é dasha, o capitão é shushoo e o árbitro é shushin. Os equipamentos não são baratos. Um conjunto de dez bolas custa R$ 300 e os tacos têm preços que variam de R$ 350 a R$ 1.500. Com a perspectiva do Mundial no Brasil, equipes de todo o País treinam com afinco. Querem ouvir o grito “Game set!” – a informação, dada pelo juiz, de que um dos dois times saiu vencedor na partida.

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