Cultura

Super-herói do passado

O filme de aventura "Fúria de Titãs" injeta modernidade na mitologia e abre um novo horizonte para o cinema americano

Super-herói do passado

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Assista ao trailer do fime “Fúria de Titãs”, que estreia este mês no Brasil

 

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SEMIDEUS
Sam Worthington encarna Perseu no filme “Fúria de Titãs”. O personagem
é filho de Zeus com uma mortal e combate o mal como todo super-herói

Super-heróis com máscaras e malhas colantes são coisa recente. Nas narrativas da mitologia grega, os semideuses, nascidos do amor de uma divindade por um humano, usavam no máximo um saiote, um par de botas e uma bela armadura. No entanto, com seus superpoderes arcaicos fulminavam vilões mais horripilantes que os enfrentados pelos heróis dos quadrinhos atuais.

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VISÕES DO MAL
Perseu enfrenta Medusa

Na falta de personagens do porte de Super-Homem ou Batman, os cineastas americanos começam a recorrer à “legião da justiça e da honra” das narrativas clássicas para alimentar a incessante produção de filmes de ação. Tomese, por exemplo, Perseu, protagonista do blockbuster “Fúria de Titãs”, que estreia este mês no Brasil, depois de arrasar nas bilheterias americanas, somando US$ 150 milhões de faturamento em três semanas de exibição. Filho de Zeus, deus do céu e do trovão, o jovem pescador vivido por Sam Worthington, o atual galã de Hollywood, é tão ágil nos saltos e nos golpes de espada que foi o único humano a enfrentar com sucesso e, ao final, arrancar a cabeça de Medusa – mulher monstruosa com cabelos de serpente, que transformava em pedra todo mortal atravessado pelo seu olhar. A luta entre Perseu e Medusa se dá diante do inferno, que fica subitamente decorado com uma sucessão de soldados transformados em estátuas ao estilo de Fídias, maior escultor grego. É um espetáculo visual apropriado ao cinema de efeitos de hoje, o que já levou os estúdios a anunciarem mais uma aventura parecida: “Jasão e os Argonautas”, centrado em outro “super-herói” da Grécia antiga.

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Hades, o deus das profundezas:
festival de efeitos

A atual investida nos musculosos de bota e saiote teve início com “Gladiador” e se prolongou com “Troia”, “Alexandre” e “300”. A diferença é que, nessas produções, os protagonistas eram apenas guerreiros ou exímios lutadores. Agora, são semideuses com direito a armas mágicas, como a espada presenteada por Zeus a Perseu. Ao invadir o território dos mitos, enredos como o de “Fúria de Titãs” ganham lances fantasiosos que faltavam às produções anteriores, mais realistas e históricas. E essa mudança não está acontecendo por acaso. O grande modelo dessas narrativas parece ser a trilogia “O Senhor dos Anéis”, cuja bilheteria beira os US$ 3 bilhões. Esse tipo de enredo não apenas favorece como pede os envolventes efeitos digitais tão ao gosto das plateias atuais. Seu clímax, inclusive, é o embate entre Perseu e um monstro marinho do tamanho de uma ilha, que sai das profundezas do oceano disposto a destruir a cidade de Argos, onde se passa a ação. E, mais uma vez, Perseu vai mostrar que não é filho de Zeus por acaso.

Só não vale procurar erros nessa aventura kitsch apropriada para uma sessão da tarde. O primeiro deles é mostrar Zeus seduzindo a mãe de Perseu na forma de uma águia. Na mitologia, ele aparece como poeira de ouro. Já o cavalo alado de Perseu, Pégaso, agora é preto – e também um presente de Zeus. Segundo a lenda, ele teria nascido do sangue de Medusa. Para aumentar a lista de infidelidades, o sangue visto no filme é negro. Esse detalhe pelo menos tem uma explicação. Os produtores decidiram escurecer o ketchup porque muito líquido vermelho faria o filme ganhar indicação para maiores de 13 anos. E isso significa um fracasso para um blockbuster. 

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