Artes Visuais

Desafios da SP-Arte

Bate-papo com Fernanda Feitosa (SP-Arte 2010/ Bienal de São Paulo, SP /até 2/5)

Desafios da SP-Arte

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Com recordes de público e vendas, termina no domingo 2 a sexta edição da maior feira de arte do País, a SP-Arte. Sua diretora, a empresária Fernanda Feitosa, comemora o sucesso do evento como catalisador do mercado de arte local, mas atenta para um grande obstáculo ao seu crescimento internacional: as barreiras alfandegárias.

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R$ 2 MILHÕES
Escultura da série “Bicho”, de Lygia Clark, foi a obra
vendida a preço mais alto, em 2009

A SP-Arte completa seis anos. O que mudou desde o início?
Para se ter uma feira de arte de sucesso é preciso que três fatores atuem em conjunto: uma boa produção artística, galerias de qualidade e colecionadores interessados. Esse tripé já existia no momento em que a SP-Arte surgiu e, após a consolidação da feira, o mercado cresceu mais ainda. De 2008 para 2009, a feira deu um salto de 20% de crescimento no número de público e de galerias. Este ano esperamos manter essa taxa de crescimento. O que mudou em seis anos foi a percepção do público em relação à arte.

O Brasil tem uma das taxas tributárias mais altas sobre a venda de obras de arte. De que maneira o governo pode ajudar o comércio internacional da arte brasileira?
Hoje temos 40 feiras internacionais de arte, que acontecem em países com um cenário tributário adequado. As tributações da Basileia, Suíça, ficam em torno de 4%. A tributação sobre obras de arte na Argentina, que também tem uma feira internacional, fica em torno de 17%. O Chile, que agora igualmente se propõe a fazer uma feira de arte, conseguiu uma isenção fiscal sobre as obras a serem negociadas durante a feira. No Brasil, estamos em situação desfavorável. Como a taxação incide em cascata, temos uma tributação de mais de 50% sobre o preço das obras. Isso afasta os colecionadores e as galerias internacionais de uma participação mais ativa no mercado da arte nacional. Dessa forma, acabamos perdendo expositores para países vizinhos como Argentina, Porto Rico e Venezuela. Para transformar o País em polo cultural para a arte, é preciso que o governo diminua as barreiras alfandegárias e ofereça incentivos fiscais.

Como você vê a tendência de as feiras incluírem atrações culturais em seus programas?
Um dos nossos principais intuitos é a formação de um público consumidor de arte brasileira. Para se consumir arte, é preciso entender o que se está consumindo. O colecionador brasileiro tem um perfil extremamente jovem. Um marchand me revelou que grande parte dos seus compradores possui em torno de 25 a 30 anos. Para esse público consumir de maneira adequada, é necessário, além da criação das feiras de arte com um grande leque de artistas e expositores de qualidade, um programa educativo que encare essa nova face do mercado.

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