Comportamento

Em defesa da vida simples

A americana Vicki Robin é porta-voz de um movimento que alia prazeres frugais, finanças em dia e preservação ambiental

RUBENS CHAVES

IGUAL Ela usa o mesmo lenço estampado há dez anos

Vicki Robin usa o mesmo lenço estampado no pescoço há dez anos. Suas roupas são de segunda mão, de brechó ou fruto de trocas com amigos. Engana-se quem pensa que lhe falta dinheiro ou que essa simpática americana de 62 anos é avarenta ou desprovida de vaidade. Vicki é porta-voz do movimento Simplicidade Voluntária, que alia uma vida sem excessos, às finanças em dia e à preservação ambiental. Vicki é autora do best seller “Dinheiro e Vida” (editora Cultrix, 423 págs., R$ 45), lançado em 1992, nos Estados Unidos, com um milhão de cópias vendidas, que agora chega ao Brasil.

O que é viver com simplicidade?
É seguir uma série de valores e práticas em que a essência da vida está nos valores profundos e não em distrações. Significa não comprar mais do que precisa para ter uma vida confortável. Dessa forma, a pessoa preserva sua conta bancária e, principalmente, o meio ambiente. Certa vez (o líder espiritual indiano Mahatma), Gandhi disse que o mundo tem o suficiente do que os homens precisam, mas não do que cobiçam. Nesse movimento, as pessoas se preocupam com a distância entre ricos e pobres e repudiam o consumismo. Acreditam que é injusto e antiético ter muito mais que o outro.

O consumismo é o grande vilão?
É. No momento que você passa a querer algo, sua mente entende que você precisa daquilo. Em nossa sociedade, desejos instantaneamente viram necessidades. Costumo dizer que os americanos exportam o vírus do consumismo e que meu livro é uma vacina.

Qual é a dica para evitar excessos?
Prestar atenção na hora de comprar. Perguntar-se: “Esse produto vale a energia vital e o tempo que gastei para ganhar esse dinheiro?” Ou: “Esse objeto vai tornar minha vida melhor?” Outra dica é anotar tudo que você gasta em um caderno. Isso faz você encarar o fato de que comprou e, no final do mês, fica claro o quanto aquilo representa de horas de vida investidas.

O que as pessoas têm feito para atingir a simplicidade?
Tem gente que passou a se reunir com os amigos para trocar coisas que não usa mais. Para as mulheres, é mais difícil usar a mesma roupa por muito tempo. Então, essa é uma ótima saída. Elas trocam suas coisas com as amigas e, além de ter algo diferente no armário, não gastam dinheiro. Toda vez que você gasta está contribuindo para a extinção dos recursos naturais do planeta, transformando-os em produtos que você usa por um período muito curto e depois joga fora.

Quanto tempo leva para uma mudança de mentalidade?
É um processo de longo prazo. Ir a um lugar, ver um objeto e desejá-lo é comum. Ou seja, a nossa mente está sempre fazendo isso conosco. Meu livro mostra um programa que traz resultados se seguido religiosamente. Algumas pessoas mudaram de mentalidade em seis meses. Não estou dizendo para não comprar. Digo para não comprar o que você não usa ou que não aproveita. Acredito que não seja uma vida de “nada” ou de “mínimo”, mas um equilíbrio entre prazeres materiais e não materiais. Afinal, quantos sofás você precisa na vida? O que precisamos é de pessoas sentando nele.