Comportamento

A força do personagem

Crianças preferem produtos com imagem de seus ídolos e influenciam os pais na hora da compra

HERÓI Nicolas faz sua mãe comprar produtos do Homem-Aranha

Aos três anos, Nicolas Fusi gosta de escalar a estante e as paredes da casa onde mora com os pais em São Paulo. Quando sua mãe se aproxima, ele justifica as marcas de sapato sempre com a mesma palavra: “Homem Aânha”. Mas não é apenas em situações assim que Nicolas se esforça para dizer o nome de seu super-herói mais querido. “Toda vez que ele vê um produto do Homem-Aranha, ele pede para eu comprar”, diz a mãe, a policial militar Cintia Panfili, 33 anos. Basta ter filhos pequenos ou conviver com crianças para saber que Nicolas não é exceção. Os pequenos se interessam mais por produtos que estampam a imagem de seus ídolos, como comprova uma pesquisa realizada pela TNS InterScience.

O estudo “Kids Power 2007” ouviu mães de crianças de três a nove anos no Brasil, Argentina e México. No Brasil, foram realizadas 407 entrevistas, em agosto de 2007. O estudo não leva em conta brinquedos, mas produtos como bolachas, roupas e artigos escolares associados aos personagens. Os preferidos dos brasileiros são a Barbie e o Homem-Aranha. Ainda segundo o estudo, 56% das mães latinas declaram que, quando uma marca é associada a um personagem famoso, as crianças definitivamente pedirão o produto, e 42% afirmam que seus filhos provavelmente pedirão o presente. Ou seja, é possível afirmar que 98% dos pequenos são influenciados pela imagem de seus ídolos e, dessa forma, interferem nas compras dos pais.

Nesse contexto, 66% das mães ouvidas afirmam que estão dispostas a pagar mais para satisfazer a vontade de seus filhos. No Brasil, o porcentual é mais elevado: 77%. E pais culpados compram mais. Homens e mulheres separados e mães que trabalham fora cedem com mais facilidade aos apelos dos filhos. “Essa ausência, conseqüência do ingresso da mulher no mercado de trabalho, acirrou o sentimento de culpa das mães, tornando-as cada vez mais tolerantes e impotentes para impor limites às crianças, que se transformam em pequenos ditadores”, diz Ivani Rossi, diretora de Planejamento da TNS InterScience.

A persuasão infantil se dá principalmente no segmento de alimentos, mais especificamente em bolachas, chocolates, doces, iogurtes e bebidas. No Brasil, 37% dos filhos escolhem a bolacha que querem levar para casa. Os pequenos também influenciam na compra de roupas e artigos escolares, mas nessa áreas são as mães que têm a palavra final. Apenas 9% deles realmente conseguem impor suas vontades aos pais na hora de se vestir e de comprar material escolar. Cintia trabalha fora, mas diz não atender sempre aos pedidos insistentes de Nicolas. “Se eu cedesse, ele teria tudo do Homem-Aranha”, diz ela.