A atriz Cinnara Leal, em parceria com seu irmão Carlos Leal, realizará no domingo, 30, o “Em Nós Para Além De Nós”, projeto que celebra a existência, resistência e ancestralidade e do povo negro no Brasil no final do Mês da Consciência Negra.
Mesmo que ainda em busca de patrocínios para ajudar em sua visibilidade, o evento é um marco importante para que o mundo ouça e reconheça a profundidade e a riqueza dessas histórias. “Eu sou sonhadora, então eu já imagino a gente em África”, brinca a artista em entrevista à IstoÉ Gente. “A gente precisa fazer a história. Não é para amanhã, não é para depois, é hoje.”
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“Nós somos de uma família que foi criada pela mãe (Neide Leal), – uma historiadora, militante e mulher da política -, e isso definiu toda a nossa criação e toda a nossa concepção de justiça e de relações sociais de uma maneira geral”, explica Carlos, escritor e doutor em Filosofia, sobre a importância de sua trajetória para a elaboração do evento. “A gente tem convívio social e coletivo desde sempre.”
“Ter sido criado por uma mulher conduziu a gente de uma maneira muito realista. Sensível, e ao mesmo tempo, consciente da nossa empreitada como seres humanos. Então, é uma mulher que a gente se orgulha muito e que fez desse núcleo familiar uma potência”, complementa a atriz.
“A gente entende que somos continuidade e precisamos exercitar isso”, continua Cinnara. “Foi uma mulher que buscou essa liberdade. Hoje a gente vive a democracia, porque houveram pessoas que foram para a rua lutar, então damos seguimento a isso.”
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O projeto também celebra o lançamento do livro “Racismo x Antirracismo: Guerra Injusta e Dever de Reparação” do autor, que recentemente concluiu seu Doutorado em Filosofia na UFRJ. A obra aborda a forma que pessoas negras são perseguidas e violentadas de diversas formas no território brasileiro, vítimas de uma perseguição que já se pendura há séculos.
Patrocínios e expectativas
Cinnara e Carlos explicam que tiveram pouco mais de dois meses para organizar todo o projeto, que contará com feiras gastronômica e de empreendedorismo, contação de histórias para crianças, roda e oficina de jongo, roda feminina de agbê e até a estreia do Samba de Benguela – que marca o encontro de grandes sambistas das rodas de samba femininas e convidadas e homenageia a líder quilombola do centro-oeste brasileiro Tereza de Benguela-.
“Não é nada fácil construir esse evento”, brinca o escritor. “Mas a gente também produziu outros atrativos. Vamos fazer, aqui em casa mesmo, uma feijoada para oferecer lá com um valor simples. Não pretendemos arrecadar nada com isso, é uma ação nossa, porque costumamos cozinhar para grupos”, conta.
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A atriz ainda enfatiza que apesar de terem conseguidos algumas parcerias para o “Em Nós Para Além De Nós”, o custo e investimento é todo deles dois. “Algumas marcas parabenizaram o projeto, mas disseram que não iam poder estar abraçando nesse momento e outras não responderam”, detalha.
“Eu acho que é um processo. Exige um tempo de algumas marcas entenderem a urgência, a necessidade de exercitarem o tão falado antirracismo, e como a gente utiliza dele na prática, apoiando e estando junto nesses projetos, que contam a história que construiu o Brasil”, reflete.
“Mas deixamos aqui o recado, nos 45 do segundo tempo, que gostaríamos sim de ter um grande patrocínio, mas que agradecemos todas as marcas que deram feedback.”
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**Estagiária sob supervisão