Comportamento

Nas trilhas do esporte

Enduro a pé reúne mais de dez mil praticantes no Brasil e quer reconhecimento oficial

Já ouviu falar de enduro a pé? Pois saiba que a atividade (também conhecida como trekking de regularidade), criada no final da década de 80, conta com mais de dez mil praticantes e cerca de 40 campeonatos disputados em todo o País, segundo estimativas da Federação Paulista de Enduro a Pé e Trekking (Fepep). Foi uma das modalidades mais concorridas da primeira Virada Esportiva, realizada em São Paulo, em setembro, reunindo quase 800 participantes. Os motivos da rápida popularização, dizem os organizadores, passam por sua vocação democrática. "É uma atividade em que se usa muito mais a cabeça do que o físico. Isso permite que um grupo de senhoras de 60 anos ganhe de uma equipe de triatletas", afirma Luciano Bernardes, diretor da Fepep.

Disputado por times de três a seis participantes, o enduro a pé exige um trabalho de equipe bem ajustado. O objetivo é percorrer uma trilha determinada – e revelada só na hora da competição – com a ajuda de orientações e referências cedidas em uma planilha. Fiscais em postos de controle distribuídos pelo caminho anotam os tempos gastos por time em cada etapa. Mas não adianta correr: a punição para quem passar pelos postos antes do horário proposto é o dobro de quem passar atrasado. No final, ganha a equipe mais regular e com menos penalidades.

Ex-bancário, aposentado há 12 anos, o paulista José Carlos de Souza Dias, 60, resolveu experimentar o enduro a pé em 2003, após muita insistência de seus dois filhos, que já eram praticantes. "Só queria saber de sombra e água fresca. Mas me entusiasmei logo na primeira prova. A gente chama isso de ‘bichinho do trekking‘: picou, tá pego", diverte-se Dias, para quem a atividade salvou a vida. Em agosto do ano passado, ele sofreu um infarto. "O médico disse que eu só não morri porque não tinha uma vida sedentária." Pouco mais de um mês depois, Dias já estava de volta às trilhas.

Com o desenvolvimento do enduro a pé, os organizadores trabalham pelo reconhecimento oficial da atividade como esporte, o que atrairia um maior número de patrocinadores para os eventos. "Nossa maior dificuldade ainda é a pouca visibilidade na mídia. A chancela de esporte ajudaria muito", diz José Maurício Lemos, presidente da Fepep, e um dos organizadores do Campeonato Brasileiro de Trekking, que acontece entre os dias 15 e 17 de novembro, em Socorro, a 130 quilômetros de São Paulo.

TRABALHO DE EQUIPE
Cada grupo de enduro a pé deve ter pelo menos três integrantes, com funções específicas

  • NAVEGADOR – Lê a planilha de mapas e informações e, com uma bússola, conduz a equipe. Administra o tempo e avalia se a equipe está adiantada ou atrasada no trajeto.
  • CONTADOR DE PASSOS – Estima as distâncias já percorridas e a percorrer, com base no tamanho de suas passadas e a ajuda de um pedômetro.
  • CALCULISTA – Com base nas informações do contador de passos e o auxílio de uma máquina programável, calcula os tempos ideais para a equipe percorrer todos os trechos do percurso.