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A concorrência sempre foi o combustível para a máquina chamada mercado. As leis de oferta e procura ditam o rumo que as empresas trilham desde o surgimento do capitalismo. Na era da informação, não é diferente. Numa época em que cada vez mais o conhecimento passa a ser o alicerce das relações consumidor-fornecedor, nada mais natural que a iniciativa privada se prepare para as mudanças tendo como princípio as prerrogativas que a sociedade civil exige: ética e transparência. Dentro das empresas, a política de ética e transparência depende do setor de recursos humanos. “O momento é de total sensibilização para a vivência e a cobrança da ética e da transparência”, afirma a professora da Fundação Getúlio Vargas Maria Cecília Coutinho de Arruda, coordenadora do Centro de Estudos de Ética nas Organizações e presidente da Associação Latino- Americana de Ética nos Negócios e na Economia. “É uma coisa natural. A sociedade exige cada vez mais. Além disso, a concorrência também faz uma pressão por uma relação mais ética”, diz o professor de marketing da Universidade de Brasília, Jorge Fernando Valente de Pinho. Se na esfera pública organismos como corregedorias, ouvidorias e ONGs criaram um ambiente de cobrança e fiscalização permanentes, a organização dos cidadãos, por meio dos Procons e associações de defesa do consumidor, também estabeleceram um novo patamar de relacionamento das empresas com o seu público. “O movimento da governança corporativa propiciou a formação de profissionais que administram  a ética da organização.

São denominados gerentes de ética e ‘compliance’, gozam de uma independência em relação a outras áreas, de modo que podem definir, junto à alta administração, procedimentos e tratamento de problemas éticos da empresa, do setor, do relacionamento com o governo, clientes, fornecedores e com os próprios funcionários. Essa é uma atividade que tem demandado bons profissionais no mercado”, diz a professora da FGV. E, em vez de simples recrutadores de funcionários, os responsáveis pelos recursos humanos ganharam status de profissionais essenciais no dia a dia da empresa. “As empresas multinacionais em geral têm um profissional ou uma equipe responsável por programas de ética confeccionados pela matriz e seriamente gerenciados pelas filiais. Sua preocupação com reputação e práticas transparentes tem crescido, na medida em que os escândalos aparecem em todos os países do mundo”, explica Maria Cecília. “As decisões precisam ser compartilhadas para que sejam implementadas com compromisso”, aponta o consultor Ralph Aracanjo Chelotti, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos. A exemplo de outras áreas que surgem com destaque no fim desta primeira década do século XXI, a formação desse tipo de profissional carece de estruturas de ensino adequadas. “As universidades brasileiras não estão preparadas para esse novo profissional. As federais e estaduais são teóricas demais. As privadas são muito fracas. Então, cabe à empresa e ao profissional buscar por conta própria seu aprofundamento”, diz Pinho.

Os gerentes de ética têm independência em relação a outras áreas e podem definir, junto à alta administração, procedimentos para tratar os problemas

“Muitas empresas brasileiras mostram-se mais sensíveis à implantação de programas de ética. Isso ocorre pela orientação séria da alta administração, ou pelo risco de prejuízos e perda em relação à concorrência. Vão formando profissionais com habilidade para administrar tais programas, com o intuito de buscar a excelência de seus colaboradores”, afirma Maria Cecília. O profissional dessa área deve ser flexível. “Com frequência são pessoas maduras, com experiência e visão global, que gozam de respeito e reputação junto aos colegas e confiança da alta administração. Não necessariamente vêm das áreas tradicionais de auditoria, controle ou jurídica”, salienta a professora da FGV. “Devem ser pessoas abertas a contatos com profissionais que desempenham a mesma função em outras empresas, pois a troca de experiências pode ser muito útil”, finaliza.

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