Enquanto os deputados discursavam noite adentro na sexta-feira 15 sobre o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, as rotativas da Imprensa Nacional foram acioanadas para imprimir uma edição extra do Diário Oficial. A publicação trouxe mais de uma centena de alterações — exonerações e nomeações — em cargos comissionados nos segundo e terceiro escalões do governo, iniciativa relacionada ao embate político travado entre o Palácio do Planalto e partidos nas horas que antecedem a votação do impedimento de Dilma, previsto para ocorrer na tarde deste domingo 17.

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Parte significativa das mudanças está relacionada ao PP, partido que integrou a base do governo e decidiu desembarcar após seus principais líderes perceberam que são grandes as chances de o processo de impeachment ser aprovada pela Câmara. Há, no entanto, dissidências no partido, e o Planalto joga politicamente com os cargos para que a sigla permaneça rachada. Uma dissdência importante foi a de Waldir Maranhão, vice-presidente da Câmara, que garantiria a Dilma outros votos do PP. O dissidente foi punido com sua destituição de presidente regional do partido no Maranhão.

O parlamentar foi convencido a votar com o Planalto com a ajuda do governador do estado maranhense, Flávio Dino (PCdoB). Dino desembarcou em Brasília e tem trabalhado forte nos bastidores para ajudar a presidente. Outros governadores também estão na capital do país para trabalhar em favor ou contra a petista, pressionando os deputados.

Além da própria Dilma, que usou o Palácio da Alvorada como base para as negociações, a interlocução com os governadores aliados tem sido feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hospedado num hotel a apenas algunas metros do Alvorada. Lula passou os últimos dias em Brasilia e, de tantas conversas, quase não teve voz para discursar para integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST). Integrantes do PP e do PR são os mais assediados.

Se passou a contar com possíveis dissidências a seu favor, o governo também amargou a debandada de integrantes da base. Foi o caso de Gilberto Kassab, que esticou a corda até não poder mais e decidiu deixar o Ministério das Cidades. Na sexta-feira, ele entregou a carta de demissão. PSD orientou sua bancada a votar no impeachment.

As possíveis baixas de última hora no apoio ao impeachment preocuparam Michel Temer. O vice trocou São Paulo, de onde pretendia acompanhar a votação, por Brasília para articular pessoalmente a manutenção do apoio da maioria dos partidos ao processo de impeachment. Temer usou o Palácio do Jaburu para receber os aliados. Ao longo de sábado, governo e oposição fizeram contas, ambos insistindo na tecla de que têm votos suficientes para ir dormir no domingo vitoriosos. Partidos de oposição afirmaram ter pelo menos 375 votos, 33 a mais do que o necessário para aprovar o processo de impeachment. No meio da tarde, o PT contabiliza cerca de 200 votos. Nas contas do Planalto seria algo entre 180 e 185.

O trabalho dos articuladores passará a madrugada inteira, com telefonemas e jantares. Amanhã se estenderá mesmo após o início da votação, agendada para às 14h deste domingo.