Artes Visuais

Berlim é aqui

Zeitgeist - Arte da Nova Berlim/Centro Cultural Banco do Brasil, Rio/até 4/4

Berlim é aqui

Zeitgeist, em alemão, é o termo que designa o estado intelectual e cultural de uma época. Ao nomear assim uma exposição sobre a nova arte de Berlim, o curador Alfons Hug procura compreender no espaço do CCBB Rio o clima e a temperatura da produção artística contemporânea da capital alemã. A exposição reúne 29 artistas – alemães e estrangeiros – que vivem e trabalham hoje na cidade. A passagem do tempo e os processos de aceleração e estagnação são questões centrais em se tratando de uma curadoria sobre o estado de uma época. 

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Assim, a obra “Standard Time” (2008-2014), de Mark Formanek, instalada no lobby do edifício, abre de maneira eficiente a exposição. A vídeo-performance consiste no registro do trabalho de 16 pessoas em manter um relógio montado em outdoor, em atividade permanente ao longo de 12 horas ininterruptas, minuto a minuto. A ruína como categoria estética e os eternos os ciclos de demolição e reconstrução também são eixos relevantes quando falamos de uma cidade arrasada por duas guerras mundiais e dividida por um muro durante quase três décadas. 
 
As marcas da destruição urbana estão presentes nos vídeos do francês Cyprien Gaillard e do brasileiro Marcellvs L. Curiosamente, o caráter ruína/transformação aproxima Berlim das metrópoles brasileiras. As fotografias dos alemães Frank Thiel e Thomas Florschuetz poderiam perfeitamente ter sido feitas em São Paulo ou no Rio. A divisão das salas por mídias – fotografia, pintura, instalação, filme/vídeo e música – é questionável. Funciona em alguns casos, como na sala dedicada à música eletrônica da noite berlinense – uma seleção de sets de DJ’s –, mas é problemática no caso da pintura. 
 
As telas de Franz Ackerman – que são verdadeiros catálogos de estilos – e de Thomas Scheibitz são extremamente vibrantes para estarem posicionadas frente a frente. A exposição encerra com um núcleo de salas de cinema, onde duas experiências cinematográficas se afirmam como o melhor da mostra: “Deep Gold” (2013-14), de Julian Rosefeldt, e “The Lost” (2014-1933), e Reynold Reynolds, que coloca lado a lado dois cabarés berlinenses, nos séculos 20 e 21.