Economia & Negócios

Barbosa quer margem para meta fiscal e limite legal para alta de gastos

A proposta do ministro da Fazenda foi apresentada no mesmo dia da divulgação do resultado fiscal do governo central, com déficit primário de R$ 114,985 bi

Barbosa quer margem para meta fiscal e limite legal para alta de gastos

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O Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, propôs estabelecer "margem fiscal legal para acomodar flutuações de receita", uma espécie de banda para a meta fiscal. Além disso, ele propôs criar um limite legal para o crescimento do gasto público.

A fala de Barbosa ocorreu durante sua apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão. A informação foi publicada no Twitter do conselho, que destacou a fala do ministro. O discurso completo deve ser publicado ainda hoje no site do Ministério da Fazenda.

O governo quer usar o Conselhão para dar início a uma ‘agenda positiva’, com anúncio de medidas para ajudar na retomada do crescimento econômico.

A proposta do ministro foi apresentada no mesmo dia da divulgação do resultado fiscal do governo central. Em ano marcado pelo desaquecimento da economia, forte queda da arrecadação de tributos e "despedaladas" fiscais, o governo central encerrou 2015 com o maior déficit primário da história, de R$ 114,985 bilhões.

"Na recessão, todos somos perdedores", diz presidente do Bradesco

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, disse que os membros do colegiado podem apresentar ao governo sugestões para o país “sair do imobilismo”.

Os conselheiros, segundo Trabuco, devem encontrar ideias “compatíveis que resultem em ações compartilhadas”. No entanto, as ações para a recuperação da economia não podem repetir medidas anteriores, na avaliação do executivo.

Chamado de Conselhão, o colegiado atua no assessoramento da Presidência da República e é formado por ministros, empresários e representantes da sociedade civil.

"Acredito que muitas coisas boas estão aí para dar início a esta retomada. Por exemplo, a convicção de que a base constituída pelas metas de inflação, câmbio, responsabilidade fiscal, são os pilares necessários para gerar o crescimento posterior. Para a retomada do caminho futuro, é preciso acabar com a crença de que é possível de forma permanente dirigir um carro que avança na noite com os faróis voltados à ré. Precisamos avançar”, cobrou.

Ao discursar na abertura da reunião do Conselhão, o presidente do Bradesco disse que todos perdem com a crise e que o Brasil poderá ser novamente um país vencedor. "Cada um de nos é protagonista do que o Brasil é hoje, no sentido de que todos têm parcela de responsabilidade. Todos somos perdedores, pois na recessão todo mundo perde", afirmou.

Nesta quinta-feira, o Bradesco informou que seu lucro líquido cresceu para R$ 17,19 bilhões em 2015, aumento de 14% em relação aos R$ 15,08 bilhões registrados no ano anterior. Esse foi o segundo maior lucro já registrado por um banco de capital aberto brasileiro, segundo a Economatica, atrás somente do Itaú Unibanco em 2014 (R$ 20,2 bilhões).

Depois de um ano e meio sem reuniões, o Conselhão foi retomado hoje. A intenção do governo é ouvir representantes da sociedade civil e do empresariado sobre medidas econômicas que pretende adotar nos próximos meses. Além do presidente do Bradesco, mais sete conselheiros e cinco ministros farão intervenções. A presidenta Dilma Rousseff vai discursar no fim da reunião.

“Provavelmente, cada um de nos tem uma pauta de como sair do imobilismo. Acredito que entre as pautas de cada um, certamente haverá pontos, detalhes, intenções que nos unem para a construção de uma pauta de convergência", destacou Trabuco.

Ao dar posse aos conselheiros, o chefe da Casa Civil, ministro Jaques Wagner, disse que as democracias mais maduras têm conselhos desse porte.