Economia & Negócios

Fila do desemprego cresce 42,5% em 2015 nas principais regiões metropolitanas

População desocupada em seis regiões foi estimada em 1,7 milhão e taxa média de desemprego aumentou de 4,8% para 6,8% em um ano; renda cai pela primeira vez desde 2004

Fila do desemprego cresce 42,5% em 2015 nas principais regiões metropolitanas

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A média anual da população desocupada foi estimada em 1,7 milhão nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil, contingente 42,5% superior à média de 2014 (1,2 milhão pessoas), informou nesta quinta-feira, 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além de ser o maior crescimento anual da série, a elevação em 2015 interrompeu a trajetória de redução dessa população, iniciada em 2010.

A taxa de desemprego, por sua vez, ficou em 6,8% na média de 2015, contra 4,8% no ano anterior. Essa é a maior taxa desde 2009, quando ficou em 8,1% e o aumento de 2 pontos porcentuais na taxa de desocupação é o maior já registrado em toda a série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), com início em março de 2003 e resultados anuais desde 2004.

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que esperavam taxa entre 6,40% e 7,00%, e levemente abaixo da mediana de 6,90%.
Apenas em dezembro, a taxa de desocupação ficou em 6,9%, ante 7,5% em novembro, segundo dados sem ajuste sazonal. Apesar da desaceleração, essa foi a maior taxa já registrada para o mês de dezembro desde 2007 (7,4%).

Segundo a técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Adriana Beringuy, as duas últimas semanas de dezembro, entre os festejos de Natal e Ano-Novo, são marcadas por uma intensa queda na procura por emprego, e 2015 não foi diferente. Isso pode ter ajudado na queda da taxa de desemprego.

"Quem tenta o trabalho temporário se insere até o início de dezembro. Nas duas últimas semanas, há uma queda acentuada na procura, que gera redução na população desocupada", observou Adriana. "Então, o crescimento da inatividade pode ter contribuído para que essa taxa (de desemprego em dezembro) não fosse mais alta."

O rendimento médio real dos trabalhadores registrou recuo de 3,7% em 2015 ante 2014. Apenas em dezembro, houve alta de 1,4% ante novembro e redução de 5,8% ante dezembro de 2014. A queda da renda em 2015 interrompeu uma década de avanços. Desde 2004, a remuneração dos brasileiros não encolhia em termos reais. Além disso, o recuo naquele ano foi de 1,3%. Com isso, o resultado de 2015 firmou-se como o pior da série da PME.

O IBGE vai descontinuar a PME este ano. O fim da coleta será em fevereiro de 2016, com a última divulgação em março. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que vai substituir a PME, traça um panorama nacional do mercado de trabalho. Segundo os últimos dados da Pnad, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 9% no trimestre até outubro de 2015 e o País já tem 9,1 milhões de desempregados.