Economia & Negócios

Bolsa da China despenca 7,3% e fecha mais cedo pela 2ª vez na semana

Negócios foram interrompidos cerca de 30 minutos após a abertura, no pregão mais curto em 25 anos; pessimismo se espalhou rapidamente nos mercados após o BC chinês intervir no câmbio

Bolsa da China despenca 7,3% e fecha mais cedo pela 2ª vez na semana

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O mercado acionário da China despencou nesta quinta-feira e teve o pregão mais curto de sua história de 25 anos, em meio à tolerância cada vez maior de Pequim com o enfraquecimento do yuan, que gera preocupações sobre eventuais novas fugas de capital e a saúde da segunda maior economia do mundo.

Os negócios foram interrompidos cerca de 30 minutos após a abertura, depois de um novo sistema de circuit breaker ter sido acionado pela segunda vez nesta semana. O Xangai Composto, principal índice acionário da China, encerrou a breve sessão de hoje com uma dramática queda de 7,32%, a 3.115,89 pontos.

Num efeito dominó, os preços das commodities apresentam queda. O petróleo WTI e Brent atingem os níveis mais baixos desde 2003 e 2004, respectivamente, e cada vez mais perto de US$ 30 o barril, enquanto as bolsas europeias registram fortes perdas. Frankfurt, por exemplo, chegou a cair 3,50%, Paris recuou 2,70% e Londres 2,58%.

O pessimismo se espalhou rapidamente nos mercados após o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) ter estabelecido a taxa de paridade para as transações cambiais desta quinta em 6,5646 yuans por dólar, o menor nível desde 2011 e 0,5% abaixo dos 6,5314 yuans por dólar de ontem. O ajuste na taxa de referência foi o mais forte desde 13 de agosto.

"O tombo nas ações foi causado principalmente por expectativas de que o yuan irá se desvalorizar mais, o que causará preocupações sobre as condições econômicas do país", comentou Qian Qimin, analista sênior da Shenyin Wanguo Securities.

A liquidação de hoje em Xangai foi similar à de segunda-feira, quando o mercado caiu 6,9%, após um pregão abreviado pelo circuit breaker, que estreou naquele dia.

O circuit breaker é acionado sempre que ocorrem variações muitos acentuadas do índice CSI 300, que reúne as 300 ações mais líquidas negociadas em Xangai e em Shenzhen. Quando o índice varia 5%, a sessão é interrompida por 15 minutos e, no caso de flutuações de 7%, o pregão do dia é encerrado mais cedo.

O CSI 300 caiu 5% nos primeiros dez minutos de negócios desta quinta, levando a uma paralisação de 15 minutos do pregão. Quando os negócios foram retomados, o movimento de vendas se acentuou e o CSI 300 ampliou a queda a 7%, causando o abrupto encerramento da sessão.

Mais de 1.600 ações chinesas atingiram o limite diário de desvalorização de 10% hoje, segundo a Wind Information.

Com a forte queda do Xangai Composto, o yuan se enfraqueceu 0,6% frente ao dólar na China continental. No chamado mercado offshore, em Hong Kong, a moeda chinesa chegou a recuar 0,9% ante o dólar. O yuan continental já acumula perdas de 1,5% nos primeiros dias do ano, e o yuan offshore, que flutua livremente, opera em mínimas históricas, com desvalorização de 2,7% desde o começo de janeiro.

O PBoC tentou acalmar os investidores e esclarecer sua posição, ao enfatizar a necessidade de manter o yuan estável e em um nível de equilíbrio, e atribuiu os movimentos da divisa chinesa à ação de especuladores.

Em comunicado, o BC chinês afirmou que "algumas forças especulativas estão tentando obter ganhos ao manipular o renminbi", utilizando a outra denominação do yuan. Segundo o PBoC, essas operações "não têm nada a ver com a economia real (da China)" e apenas causaram "flutuações anormais" na moeda.

Para vários economistas, a disposição do PBoC de permitir que o yuan se desvalorize é um reconhecimento de que a economia da China enfrenta desafios maiores este ano e qualquer incentivo que uma moeda enfraquecida venha a dar às exportações do país ajudaria a superar a desaceleração atual.

No terceiro trimestre de 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 6,9% em relação a igual período do ano anterior, ficando abaixo da taxa de 7,0% pela primeira vez desde 2009.

Japão. A Bolsa de Tóquio fechou no menor nível desde outubro, após o iene se fortalecer e o mercado acionário em Xangai sofrer um novo tombo, em reação ao forte ajuste que a China fez em sua taxa de paridade para os negócios cambiais desta quinta-feira.

O Nikkei, índice que reúne as ações mais negociadas na capital do Japão, caiu 2,33%, a 17.767,34 pontos, a mínima da sessão, rompendo a barreira dos 18 mil pontos pela primeira vez desde 15 de outubro do ano passado.