Artes Visuais

Espiritual contemporâneo

O brasileiro Carlos Araujo é o primeiro artista a expor no Pantheon de Roma, 300 anos depois do renascentista Rafael

Espiritual contemporâneo

PAIXÃO

Gênesis – Carlos Araújo/ Panteão, Roma/ de 25/9 a 3/10

Rafael forma com Michelangelo e Leonardo Da Vinci a tríade dos grandes artistas do Renascimento. Nasceu em Urbino, em 1483, e viveu os 12 últimos anos de sua vida em Roma, trabalhando intensamente para o Vaticano. Seu prestígio era tal que em 1520 foi enterrado no Panteão de Roma, um dos mais bem preservados edifícios da Roma antiga, convertido em 609 d.C. pela igreja católica em Basílica romana de Santa Maria e Mártires. Duzentos anos depois a morte, o pintor teve uma exposição póstuma no local.

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Pintura da série "Gênesis", de Carlos Araujo, transmite mensagem às três grandes religiões

Três séculos depois de Rafael, o Pantheon abre novamente suas portas para uma exposição de arte. Quem lá expõe é um brasileiro de 65 anos. Segundo o Monsenhor Daniele Micheletti, arcebispo da Basílica, “Carlos Araujo, ilustre pintor, sua pintura e sua Bíblia de cores e luzes”.

Engenheiro de formação e artista autodidata, o paulistano Carlos Araujo começou a pintar nos anos 1960, engajado em temáticas de viés sócio-político, como boa parte de sua geração. Nos anos 1970, ganha repercussão após duas individuais no MASP. Sua história com o Vaticano começa pouco depois disso, quando converte sua pintura para a reflexão teológica e a meditação espiritual. Dono de um estilo virtuoso e vigoroso, expôs em 1979 o painel “Anunciação” no Vaticano, e desde então dedica-se com paixão à pintura religiosa.

Em 2007, concluiu seu grande projeto: “Bíblia Citações”, uma versão do livro sagrado com 1028 pinturas. O primeiro exemplar foi entregue ao papa Bento XVI pelo Governo do Estado de São Paulo, e assim começou a costurar-se o projeto da presente exposição. Durante uma semana, do sábado 26 ao sábado 3 de outubro, Araujo apresenta no Pantheon 32 telas que ilustram passagens bíblicas do Gênesis. Com esse trabalho, afirma se comunicar não apenas com católicos, mas também com budistas, judeus, muçulmanos e ateus.

“O livro do Gênesis contém uma mensagem comum a três grandes religiões e nos remete à remota lembrança de termos sido criados no Sexto Dia, um vínculo de fraternidade que deve ser exercido. Uma grande oportunidade para os chefes de poder transformarem confrontos em convivência pacífica”, diz Araujo à Istoé. “O Pantheon de Roma é a catedral mais antiga do mundo e foi palco de inúmeras demonstrações de fé. A exposição tenta mais uma vez mostrar esta mensagem a meio milhão de passantes, peregrinos e turistas em um local que, de certa forma, já a contém desde o inicio, desde o Gênesis”.