Medicina & Bem-estar

Meditação para aplacar o vício do fumo

Pesquisas - entre elas uma brasileira - comprovam que a terapia é capaz de fortalecer o autocontrole e impedir a volta da dependência

Meditação para aplacar o vício do fumo

Apenas 7% das pessoas que se dispõem a parar de fumar conseguem ficar longe do cigarro por mais de um ano. Por esta razão, multiplicam-se os esforços para encontrar meios eficientes de cortar a dependência. Na última semana, pesquisadores da Texas Tech University e University of Oregon, nos Estados Unidos, relataram os benefícios da meditação para aplacar os vícios do fumo. O método mostrou-se eficaz principalmente para fortalecer o autocontrole, fator fundamental na luta contra a compulsão.

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Estudos recentes já demonstraram que os fumantes apresentam atividade reduzida em áreas cerebrais associadas ao autocontrole. “Estamos começando a aprofundar nossas pesquisas para entender como o uso repetido de substâncias que levam à dependência afeta estas regiões”, explicou a cientista Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos e coordenadora do trabalho. “O objetivo é criar opções que atuem nesses mecanismos.”

Há várias técnicas de meditação. Durante a prática, o que se quer é aquietar a mente, cessando o fluxo de pensamentos, o que ajuda o indivíduo a pensar no momento presente. Seus benefícios para a saúde física e mental têm sido cada vez mais constatados pela ciência. O método vem sendo usado como terapia complementar em tratamentos de câncer, estresse pós-traumático e doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão.

O time de pesquisadores das instituições americanas decidiu testar o poder do mindfulness – uma das técnicas de meditação. Foram selecionados sessenta estudantes (27 fumantes e 33 não fumantes). Eles foram divididos em dois grupos. O primeiro submeteu-se a sessões de relaxamento, enquanto o restante participou de sessões de meditação.

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O experimento foi feito ao longo de duas semanas, em dez sessões de cerca de trinta minutos cada. Antes de seu início e também após o seu final, os voluntários foram submetidos a exames de imagem cerebral, registraram seus hábitos em relação ao cigarro e tiveram medido o nível de dióxido de carbono em seus pulmões. O resultado mostrou que entre aqueles que fizeram as sessões de meditação houve redução de 60% no consumo de cigarros. “Os estudantes modificaram seus hábitos sem se darem conta”, contou à ISTOÉ o professor Yi-Yuan, da Texas Tech University e co-autor da pesquisa. “A meditação pode melhorar o déficit de autocontrole presente nos fumantes.”

No Brasil, a psicóloga Isabel Weiss conduz um trabalho com resultados igualmente positivos. O uso da meditação para ajudar contra o cigarro é tema de sua tese de doutorado, em desenvolvimento na Universidade Federal de São Paulo. Mais de oitenta pessoas passaram pelo tratamento. Elas fizeram oito sessões, de duas horas cada, e foram orientadas a praticar em casa. Ainda não há números finais, mas os dados colhidos até agora revelam a eficácia do método. “A maioria está conseguindo se manter sem fumar por mais de um ano”, informa Isabel.

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O trabalho da psicóloga é o primeiro do gênero no Brasil. Ela começa a difundir o método pelo País com base em sua experiência e em evidências obtidas em trabalhos como o de Nora Volkow e Yi-Yuan. Em uma revisão da literatura a respeito do tema publicada recentemente, Isabel e outros especialistas verificaram que, de modo geral, a meditação contribui para a saúde mental, o que ajuda a se livrar da dependência.

Na opinião do americano Yi-Yuan, é difícil estabelecer quantas sessões são necessárias para o sucesso do tratamento. “Quanto mais longo o período de prática, melhores os efeitos”, afirmou. “Mas é preciso lembrar que a reação de cada fumante é diferente. Por isso, deve-se avaliar as pessoas individualmente.”

Colaborou Fabíola Perez 


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