Comportamento

Sumô popular

Luta japonesa aceita mulheres, reduz limite de peso e ganha espaço no Brasil

Para a maioria dos ocidentais ainda é difícil entender por que dois homens gordos usando fraldões de lona grossa se atracam feito cão e gato num ringue de areia. Antes de se transformar em esporte, o sumô fazia parte de uma cerimônia milenar do Japão para celebrar fartas colheitas. Com a intenção de divulgar essa modalidade de luta, a Federação Internacional de Sumô realizou nos dias 2 e 3 de dezembro, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, o 9º Campeonato Mundial de Amadores. Cerca de 120 atletas de várias partes do mundo participaram da competição, mas o show foi das mulheres. Somente no ano passado conseguiram entrar na arena – rompendo uma tradição que as proibia até mesmo de fazer serviços de limpeza no local das lutas. Apesar de enfrentar protestos dos puristas do esporte, elas vêm mostrando que são boas de briga.

Santana às vezes amassa a mulher na cama.

A brasileira Fernanda Costa Pereira, 19 anos, quarto lugar no Mundial de 1999, pulou para terceira do ranking na categoria peso pesado. Com 118 quilos, ela se apaixonou pelo esporte quando trabalhava como empregada doméstica para uma família de sumotoris – nome original dos lutadores, adaptado no Brasil para sumoca. Há dois anos, Fernanda treina com mais seis garotas. “Os homens não me cantam porque têm medo de apanhar”, brinca ela. Mas não é só o peso que define a luta. “Não adianta ter peso. Preparo e agilidade são fundamentais”, ensina a técnica Miki Hayashi.

Difícil mesmo é se equilibrar nas cadeiras destinadas aos lutadores.

A competição dura no máximo três minutos. Se nenhum dos lutadores conseguir derrubar o oponente ou atirá-lo para fora do círculo de 4,55 m de diâmetro – chamado de dohyôo – a luta recomeça. Os sumocas brigam para transformar o esporte em modalidade olímpica. Para tanto, foram feitas várias modificações. Além da inclusão das mulheres na competição, as categorias foram ampliadas. Antes disputado somente por pesos pesados (acima de 115 quilos), o esporte passou a incluir os pesos leve (até 85 quilos), médio (até 115 quilos) e absoluto (qualquer peso). Como os adversários para cada categoria são sorteados, não raro viu-se no Ibirapuera um dinossauro atracado a um ratinho. Nem sempre o grandão levou vantagem.

Sumocas desfilam à vontade no estacionamento do Ibirapuera. Fernanda levou o 3º lugar no Campeonato Mundial (abaixo)

Desafio – Apesar da famosa invencibilidade japonesa, a equipe alemã levou a maioria dos títulos. “Estávamos preparados para subir ao pódio”, afirmou o alemão Alexander Gerwinski, 190 quilos, campeão da categoria peso pesado. Não é nada fácil ser um sumoca. Eles têm de driblar vários obstáculos. Sentar em cadeiras mínimas para aguardar sua entrada no ringue pode ser um transtorno. “Estamos acostumados com esses desafios, como se equilibrar em cadeirinhas”, garante o paulista Renê Crespo, 35 anos, representante comercial. Pai de quatro filhos, dois deles já sumocas, Crespo dorme no chão dos quartos dos hotéis porque não existe cama que resista aos seus 120 quilos.

Milton Michida/AE
Fernanda levou o 3º lugar no Campeonato Mundial

Habituados a repetir o prato várias vezes, eles também passam sufoco no avião. Têm que solicitar à aeromoça um extensor para usar o cinto de segurança e precisam reservar no mínimo duas poltronas para se esparramar. Também têm que comer no colo. “Nunca consegui usar a mesinha da poltrona”, lamenta Crespo. O Hotel Plaza Park, onde os sumocas se hospedaram em São Paulo, foi obrigado a reduzir a carga máxima suportada pelo elevador. Isso porque seis lutadores resolveram fazer a viagem até o quarto ao mesmo tempo e o aparelho desceu, em vez de subir. O excesso de peso, eles garantem, não transforma o sexo num problema. O paulista Marcos Santana, 26 anos, 167 quilos, campeão brasileiro e terceiro colocado no Mundial, também não se queixa: “Minha mulher tem 57 quilos e só reclama quando me distraio e dou umas amassadinhas nela.” 

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