Cultura

Chega de cachorrada

Gênero conhecido pelas letras machistas, o funk ganha no Brasil uma nova geração de cantoras que quer usar o ritmo para propagar o feminismo

Chega de cachorrada

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Poucos gêneros musicais são tomados por tantas letras abertamente sexistas como o funk. Ainda que a primeira geração de representantes do ritmo tenha assumido o papel de mulher-objeto, uma nova safra de cantoras quer redimir o estilo. As novas MCs, como são conhecidas, discorrem sobre o feminismo político nas apresentações, propõem um “resgate de valores” e repudiam termos como “cachorra”. A onda vem de fora. Beyoncé caiu nas graças do combate ao machismo com a música “Flawless”, em que define as feministas como defensoras de igualdade social, política e econômica. As novas divas do funk no País concordam.

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Ludmilla, que no começo da carreira se chamava Beyoncé, como a
cantora norte-americana: "Não me chame para a cama"

Mc Ludmilla, uma carioca de 19 anos, chegou a usar o nome da cantora norte-americana para homenagear as letras que falam de mulheres poderosas. No recente sucesso “Te ensinei certin”, ela dá as dicas para o homem que quer conquistá-la: “Não me chame pra cama, me chame pra festa, talvez um jantar.”

A brasiliense Flora Matos, de 26 anos, que ganhou fama com o hit “Pretin”, acha que os homens se incomodam com o novo posicionamento, mas não se sente vítima de preconceito dentro da cena funk.

“É uma questão mais de desconforto e incômodo deles em relação à nossa liberdade de se expressar e de ser quem somos”, avalia.

Românticas? Pode ser, mas a “pegada” principal é tirar as garotas da posição passiva de objeto. Ainda que muitas vezes elas acabem tratando os garotos da mesma forma. Em suas canções, a curitibana Mc Mayara, de 22 anos, dá broncas escancaradas nos homens. “Agora a história mudou. Fica quietinho e não se intromete.” Dessa maneira ela começa seu sucesso “Teoria da Branca de Neve”, em que pergunta: “Por que só ter um, se eu posso ter sete?” Mayara jura que não vive literalmente o que canta e que suas letras são uma forma de provocação contra o pensamento machista. “Se o homem tem várias, ele é garanhão. Já a mulher é taxada como piranha. Isso tem que acabar”. Os tempos são outros, o funk também.

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Fotos: Divulgação  

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