Cultura

Os protagonistas

Como a série "Os Experientes", de Fernando Meirelles, está conseguindo colocar em primeiro plano a velhice, fase da vida quase sempre coadjuvante dentro e fora das telas

Os protagonistas

AMPULHETA VIRADA

Depois da morte do marido ao lado de quem viveu por 45 anos, Francisca fica sabendo que, a despeito de toda sua dedicação ao matrimônio, foi enganada. Apesar da resistência da família, a personagem vivida por Selma Egrei no último episódio da série “Experientes”, previsto para ir ao ar na sexta-feira 1, vai atrás dos sonhos recolhidos. Aos 70 anos, ela descobre o erotismo e os rituais de conquista que a ficção costuma reservar às protagonistas na flor da idade.

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AMPULHETA VIRADA
Salomão (Juca de Oliveira) recebe a notícia de que vai morrer de seu médico
(Lima Duarte) em "O Primeiro Dia", penúltimo episódio da série "Experientes"

A Rede Globo guardou o projeto do diretor Fernando Meirelles e de seu filho, Quico Meirelles, pronto desde 2013, para agora, momento em que a emissora comemora os 50 anos do início de suas transmissões. Não deixa de ser um pedido de desculpas a cada vez mais longeva terceira idade brasileira. Os papeis dos veteranos nas telas além de quase sempre coadjuvantes, sempre foram, segundo o diretor geral, de muito pouca qualidade, carregados de clichês ou de condescendência excessiva. “No Brasil temos alguns acertos, mas não conheço nenhum que tenha acertado na mosca”, afirma Meirelles.

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Para ele, o retrato de personagens mais velhos rendeu, inclusive, os piores filmes da história do cinema, como a ‘Última Viagem à Las Vegas’, de Jon Turteltaub. “São quatro homens na casa dos 70 que se comportam como adolescentes imbecis, achando que aquilo sim é que viver. De causar vergonha alheia”, diz. A contrariedade com a maneira com que idosos são retratados é compartilhada pelo elenco. “Não vejo papeis de qualidade sendo oferecidos para atores mais velhos. É muito difícil e raro ver algo bom para alguém na minha idade”, diz Beatriz Segall, que tem 88 anos e vive a protagonista do primeiro episódio, “Assalto”. Na trama, ela interpreta uma ex-guerrilheira que, vítima de um assalto, acaba por ajudar seu algoz, arrancando dos policiais palavras de desprezo pela idade avançada. Um dos méritos da série é justamente revelar escancaradamente o preconceito com a faixa-etária. “Aquela velha”, bradam os guardas.

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COMO EM ESTOCOLMO
Beatriz Segall, no papel da ex-guerrilheira Yolanda. Vítima de
um assalto, salva o criminoso da ação da polícia

“O Primeiro Dia”, exibido na sexta-feira 24, traz Juca de Oliveira no papel de Salomão, que descobre ter apenas 12 meses de vida pela frente. Ele decide então se reconectar com o filho de 50 anos (Dan Stulbach), e pela primeira vez os dois estabelecem uma relação de amizade. “Foi muito estimulante interpretá-lo”, diz Oliveira. Para o ator, a velhice não é um período tão ruim como muitos colocam. “Tenho 80 anos e continuo trabalhando. Acho que estamos sempre vivendo a melhor fase da vida”, diz ele.

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MEA CULPA 
Para o diretor Fernando Meirelles, diretor-geral da série,
a terceira idade é mal retratada dentro e fora do Brasil

Os quatro episódios, que podem ser acessados na íntegra por meio do site da Rede Globo pelos assinantes, trazem histórias sobre a forma como as pessoas passam, na medida que envelhecem, a ser desprezadas não só pela sociedade, mas também pelos mais próximos, como a família – quando não por si mesmas. Beatriz Segall é exemplo vivo do fato. Uma das maiores intérepretes da televisão brasileira, a atriz terminou as gravações insegura sobre seu desempenho. “Não sei se o Fernando Meirelles gostou do meu trabalho. Não sei se fiz exatamente o que ele queria. Mas ele é muito gentil, nunca me disse nada”, desabafou a atriz com a reportagem de ISTOÉ. “Imagina. Estávamos todos com lágrimas nos olhos no final do episódio”, respondeu Meirelles.

Foto: Zé Paulo Cardeal/Globo, Beatriz Lefèvre; Zé Paulo Cardeal/Globo/Divulgação  

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