Edição nº2606 06/12 Ver edições anteriores

Presença da Kroll na CPI provoca desconfianças

A contratação da empresa de espionagem norte-americana Kroll Advisory Solutions para auxiliar nos trabalhos da CPI da Petrobras na Câmara provocou dúvidas no deputado Ivan Valente (PSOL-SP)

A contratação da empresa de espionagem norte-americana Kroll Advisory Solutions para auxiliar nos trabalhos da CPI da Petrobras na Câmara provocou dúvidas no deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O parlamentar paulista defende a divulgação dos termos do contrato e o critério para a escolha, feita sem licitação. Valente teme que a Kroll não se limite a investigar o destino do dinheiro desviado da Petrobras no exterior, conforme justificativa apresentada pelo presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB).

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O passado condena
Criada por ex-integrantes da CIA, a Kroll foi acusada na década passada de espionar a cúpula da Telecom Itália e de quebrar os sigilos telefônicos de jornalistas e do primeiro escalão do governo Lula. Na Operação Chacal, de 2004, a PF descobriu que a Kroll teve políticos e banqueiros como alvo na década de 1990. A empresa nega as acusações.

Solução caseira
Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) avaliam que, ao contratar a Kroll, a CPI põe em risco os segredos industriais do pré-sal. Esses funcionários se colocam à disposição da comissão de inquérito para atuar no caso sem a presença dos norte-americanos.

Mantido no cargo
O diretor da ABIN, Wilson Trezza, convocou reunião com os servidores na quinta-feira 19. O motivo oficial era anunciar a implantação da folha de ponto no serviço secreto. Mas Trezza comunicou que continuará à frente da agência por decisão da presidenta Dilma Rousseff.

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A lista preterida
Wilson Trezza disse ter comunicado ao Palácio do Planalto sua intenção de sair da ABIN. Para substituí-lo, apresentou lista tríplice com os nomes de Luis Alberto Salaberry, Luís Fernando Cunha e Luely Moreira Rodrigues, todos do quadro da agência. Nenhum agradou a Dilma.

A herança de Vaccari
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, deixou problemas para seus sucessores no Bancoop. Na semana passada, a Justiça bloqueou os bens dos diretores atuais para garantir as indenizações dos cooperados que levaram golpe na gestão de Vaccari. Os diretores culpam o petista.

Puxão de orelha
O ministro interino da Comunicação Social, Roberto Bocomy Messias, funcionário de carreira do Banco do Brasil, já foi condenado pelo TCU por irregularidades em contratos de publicidade,
entre 2000 e 2005. Messias foi multado em R$ 3 mil, mas
recorreu e o tribunal cancelou a punição monetária. As recomendações, no entanto, foram mantidas.

Discurso
O documento da Secom que levou à queda do ministro Thomas Traumann desnuda as intenções do governo em relação aos meios de comunicação. Enquanto militantes do setor defendem a comunicação pública, de interesse nacional, o Planalto se preocupa em favorecer veículos que defendem o governo.

Coaf fecha o cerco
O Conselho Administrativo Financeiro (Coaf) fechou parcerias com os conselhos de classes de profissionais que trabalham com aplicações financeiras. Economistas e contadores estão recebendo cartas lembrando o compromisso ético de suas categorias. Os destinatários devem assinar declarações com garantias de que não identificaram quaisquer indícios de lavagem nas movimentações de dinheiro dos seus clientes. O Coaf tomou essa iniciativa devido ao envolvimento em escândalos de profissionais dessas áreas. No Petrolão, o caso mais conhecido foi o de Meire Pozza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef.

O julgamento de Afif
Na quinta-feira 26, um desembargador pediu vista e adiou a conclusão do julgamento do ministro da Micro e Pequena Empresa, Afif Domingos, no TJ de São Paulo. Afif é acusado de favorecimento na concessão de licença ambiental para a construção de um condomínio de luxo em uma área que possui no litoral paulista. Dos três desembargadores, dois votaram contra o ministro.

Toma lá dá cá

Deputado Paulo Pimenta (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

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ISTOÉ – O senhor defende a descriminalização da maconha e do aborto e a criminalização da homofobia. Por quê?
Pimenta –
Há uma demanda da sociedade para que o Congresso trate da vida real. Esses temas dizem respeito ao dia a dia das pessoas.

ISTOÉ – Como aprovar estas propostas em um Congresso conservador?
Pimenta –
O Parlamento costuma responder às pressões da sociedade. Pautamos os temas para que a sociedade faça o debate.

ISTOÉ – Qual proposta tem mais facilidade de ser aprovada?
Pimenta –
A criminalização da homofobia, já aprovada na Câmara. Ficar contra esse projeto é tão constrangedor quanto defender o racismo.

Rápidas

*A Câmara dos Deputados tem mais uma armadilha pronta para pegar a presidente Dilma Rousseff. O presi­dente da CCJ, Arthur Lira (PP-AL), marcou para esta segunda-feira, 30, a votação da admissibilidade da PEC 171, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

* Esse é um tema muito delicado para o governo. Caso a tramitação da PEC avance e siga para sanção da presidente, não haverá solução boa para o Palácio do Planalto. Se vetar, Dilma vai contrariar a maioria esmagadora da população, que defende a PEC.

* Na hipótese de sancionar a redução da maioridade penal no país, a presidente da República entrará em choque com suas bases ligadas aos Direitos Humanos e, também, com o Unicef, órgão das Nações Unidas responsável pelos direitos das crianças no mundo.

* Segundo o Unicef, dos 21 milhões de adolescentes que vivem no Brasil, somente 0,013% cometeram atos contra a vida. De acordo com o Instituto Datafolha, 93% da população do estado de São Paulo é favoráveil à redução da maioridade penal.

Retrato falado

Ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) ficou bastante contrariado com a decisão do Palácio do Planalto de recuar na mudança dos indexadores das dívidas dos estados e municípios. No final do ano passado, Genro foi um dos líderes na aprovação da lei que alivia os cofres de prefeitos e governadores. Na última semana, o petista usou o Twitter para postar mensagens com críticas ao governo federal, ao PT e ao PMDB, tratado como “mui amigo”.

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Limparam a ficha suja
Nomeado secretário-executivo substituto do Ministério dos Transportes, o ex-deputado Edson Girotto (PSDB-MS) havia sido preterido por Dilma Rousseff no primeiro momento. A presidente justificou o veto com o argumento de que Girotto respondia a processos no estado. De uma hora para outra, a Justiça aceitou recursos do investigado e o retirou da lista de réus. O caminho ficou livre para a nomeação.

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Despachos retroativos
Oficialmente, o tucano Edson Girotto está no cargo desde o dia 9 de março. No entanto, o ex-deputado assina decisões retroativas a fevereiro, como se estivesse na função há mais tempo. Esse tipo de despacho não é usual e causa estranheza entre os funcionários da pasta.

Foto: Gustavo Bezerra
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jerônimo 


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