Comportamento

Made in Recife

Nordeste começa a ditar tendência em temporada de desfiles

A moda do Nordeste já tem um lugar para se mostrar. E é lá mesmo, onde está. Durante três dias, da terça-feira 21 a quinta-feira 23, o evento Shopping Recife Fashion & Arte, na capital pernambucana, juntou mangue beat, música eletrônica, plumas e paetês. Embalados por drum n’bass, forró e coco, estilistas de renome e novos criadores nordestinos mostraram as coleções que estarão nas lojas no próximo verão. A primeira temporada oficial de desfiles da região, com um dia para moda regional, outro de roupas de praia e um terceiro para grifes São Paulo Fashion Week, colocou uma lente de aumento sobre a moda feita logo abaixo da linha do Equador. Mais de 1.500 pessoas se reuniram diariamente, no estacionamento coberto do shopping, para ver peças repletas de referências regionais como renda e bordado e também brilho, tecidos tecnológicos e luxo.

Realizada na entressafra do circuito Paris–Milão–Nova York, quando as coleções internacionais já foram lançadas e as modelos estão de férias no Brasil, a mostra foi uma rara oportunidade de se ver moda. A estilista Márcia Ganem, de Salvador, abriu o evento promovendo a fusão da tradição manufatureira nordestina com o glamour. Usando fibra de poliamida, o mesmo material das mantas de pneus de automóveis, criou vestidos, pareôs e estolas de aspecto semelhante à da palha de coqueiro. Também trouxe peças dignas de joalheria, feitas com trama de nós – rede de fios contínuos trabalhados à mão – e enfeitadas com pedras semipreciosas, como granada, ametista e olho de tigre. Com um ateliê no Pelourinho e roupas vendidas na Daslu, Márcia aposta na semana de moda nordestina como meio de divulgar a produção local. “Para a moda do Nordeste sobreviver, pulsar, temos de mostrar o que está sendo feito.”

Longe das celebridades e modernos que tumultuam as temporadas paulistana e carioca, não teve espaço para afetação ou briga de egos. Com a coleção pronta e um exército de produtores a postos, momentos antes do desfile a cearense Marúzia Fernandes aguardava calmamente a hora de mostrar suas criações inspiradas no oceano. “Minha única preocupação agora é trocar este tíquete de champanhe no quiosque que está do outro lado”, brincou. Com a mesma tranquilidade, o pernambucano Eduardo Ferreira tirava de sua sacola um retalho de renda, para fazer um vestido para Fabiana Kherlakian, organizadora do evento. Famoso no meio cultural como o figurinista de Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, Ferreira confecciona peças de renda renascença, brocados franceses e vestidos de trama de fitilhos, que lembram tapeçaria. Ao apresentar sua coleção, chamou DJ Dolores, Mr. Jam e Maciel Salu, responsáveis pelas festas mais animadas do movimento mangue beat, para tocar a trilha sonora ao vivo: “Essa moda é nova, vem de Recife…”

Durante todo o evento as únicas celebridades eram os atores globais Maria Fernanda Cândido, Henry Castelli, Susana Werner e Du Moscovis, contratados por até R$ 20 mil para participações especiais. Quem virou celebridade foi a top Ana Hickman, que arrancou assobios ao desfilar de biquíni. A moda praia impressionou pela força das cores – azul-royal, verde, vermelho e laranja – e a criatividade no uso de estampas como elementos tribais e paisagens de Olinda. Criado para formar público, o evento terminou com desfiles da C&A, Ellus, Triton, Forum, Iódice e Zoomp. A tese dos organizadores é que, com essa vitrine, aos poucos a região galgue seu lugar no olimpo fashion

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