Cultura

Pelos ares

A senha recheia enredo confuso com explosões

Não é todo dia que um filme de ação americano se inicia com o protagonista malhando o cinema de seu país, visto por ele como medíocre, cheio de diálogos torpes e situações previsíveis. É mais ou menos esta a cantilena defendida pelo cínico Gabriel Shear (John Travolta) em A senha – swordfish (Swordfish, Estados Unidos, 2001), cartaz nacional na sexta-feira 17, fita que usa como contra-exemplo o drama policial Um dia de cão, no qual Al Pacino enlouquece o FBI ao ameaçar acabar com um bando de reféns num roubo a banco. O mais estimulante de A senha é comprovar que Shear não é um suposto cineasta rebelde, mas um assaltante disposto a mandar todo um prédio para os ares caso não consiga transferir para uma conta secreta na Suíça a soma de US$ 9 bilhões. A cena em que ele cumpre sua promessa logo no início do filme é espetacular. Levou três meses para ser planejada e utilizou 135 câmeras. Mostra carros, policiais, papéis, munições e cacos de vidro parados no ar num efeito semelhante ao de Matrix.

Dirigido por Dominic Sena, de 60 segundos, o thriller traz outras extravagâncias. Há uma sequência na qual o ônibus com os reféns é carregado por um helicóptero pelo céu de Los Angeles, quebrando luminosos e invadindo salas de reuniões no topo de torres de vidros. Em meio a tanta ação típica do gênero, fica-se esperando que a história se desenvolva de forma a justificar a crítica inicial de John Travolta ao cinemão americano. Não é o que acontece. Sena não acrescenta nenhum outro comentário que, divertidamente, possa atingir Hollywood. O personagem Shear – na verdade, o cabeça de uma organização de combate ao terrorismo internacional – também não é bem desenvolvido. Na confusão do enredo, o espectador acaba não sabendo qual o real motivo de Shear querer colocar a mão na tal soma bilionária, ajudado pelo hacker Stanley Jobson (Hugh Jackman), um craque em desmontar sistemas de segurança. A saída, então, é torcer por mais e mais explosões.