Cultura

Nos moldes

Cenas arrojadas são o melhor de Rios vermelhos

As primeiras imagens, mostrando os detalhes de um cadáver mutilado, nu, com marcas de tortura e em processo de decomposição, já avisam o que virá pela frente em Rios vermelhos (Les rivières pourpres, França, 2000), em cartaz em São Paulo. Diante de tamanho horror, a polícia pede auxílio ao experimentado comissário parisiense Pierre Niémans (Jean Reno), que chega ao lugarejo visivelmente entediado. Ao mesmo tempo, a 300 quilômetros dali, o tenente Max Kerkerian (Vincent Cassel) se vê às voltas com um caso de profanação de túmulo, seguido de roubo. Os dois policiais, o mestre sofisticado e o discípulo caipira acabarão se encontrando.

Baseado no best seller de Jean-Christophe Grangé, o filme dirigido por Mathieu Kassovitz é uma história de ação nos moldes americanos, bem de acordo com a linha globalizada seguida por Luc Besson. Ou seja, tomadas arrojadas, realizadas em cenário de cartão-postal, cheio de geleiras instáveis, e devidamente sublinhadas por uma vigorosa trilha sonora. Mas o roteiro se perde ao tentar resolver às pressas o excesso de informações simultâneas envolvendo teorias nazistas sobre eugenia, forças sobrenaturais ou enganos de identidade. A avalanche de dados termina por saltar da tela atingindo em cheio o espectador.