Cultura

Enigma da chatice

US$ 165 milhões não sustentam a "filosofia" de Final fantasy

Uma nova garota, de formas tão voluptuosas quanto as de Angelina Jolie ou Liv Tyler, mas sem a menor possibilidade de ter futuros chiliques ou rejeitar papéis se não estiver à frente de um contrato de milhões de dólares, invadirá as telas nacionais na sexta-feira 10 protagonizando Final fantasy (Final fantasy: the spirits within, Japão/Estados Unidos, 2001). Ela é Aki Ross, heroína do primeiro filme produzido com um elenco de personagens humanos inteiramente criados por computadores, já colocada na lista das 100 mulheres mais sexies de 2001. Aki saiu da imaginação do diretor japonês Hironobu Sakaguchi, criador do videogame interativo Final fantasy, que, desde 1987, vendeu 33 milhões de unidades. O sucesso fez nascer nove versões do game, com uma décima a caminho. Amparado nesta mina de cifrões, Sakaguchi conseguiu convencer a Sony a investir US$ 45 milhões na construção de um estúdio em Honolulu, Havaí, especialmente para 200 artistas gráficos trabalharem os atores virtuais, num processo que custou US$ 70 milhões. Para aumentar as quantias superlativas, a Columbia Pictures – um braço da Sony – entrou no embalo e desembolsou cerca de US$ 50 milhões na campanha de lançamento. O esforço começa a gerar frustração. Na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, o filme faturou US$ 19 milhões, número baixo considerando os US$ 68 milhões de um arrasa-quarteirão como O retorno da múmia.

Mas não é só na bilheteria que Final fantasy fica aquém das expectativas. Com uma história incompreensível e chata, a fita entra no campo da ficção científica, no qual a aventura e a ação perdem para questionamentos filosóficos baratos. Pelo que dá para entender, Aki e seu mentor, Dr. Sid, estão estudando um jeito de anular a força alienígena que invadiu a Terra. A dupla quer provar cientificamente que a onda de determinados espíritos rege todas as formas de vida. Aki foi contaminada pela tal força. Os dois já descobriram seis espíritos específicos. Faltam dois para completar a onda. Até aí muita chatice rolou e o espectador não vê a hora de a fantasia chegar ao final.