AMATRICE, 24 AGO (ANSA) – Quatro anos depois de um terremoto devastador que matou 299 pessoas, a nova Amatrice ainda não existe.
Com magnitude 6.0 na escala Richter, o abalo sísmico de 24 de agosto de 2016 levou ao chão o centro histórico dessa pequena cidade que é conhecida como berço do molho à matriciana, além de ter devastado a vizinha Accumoli.
Os canteiros de obras e guindastes estão presentes, mas basta percorrer as ruas que atravessam Amatrice para perceber que a ferida não cicatrizou. Ainda que a maior parte dos escombros tenha sido removida, alguns distritos agora desabitados continuam exibindo toda a destruição provocada pelo terremoto.
Segundo o governo da região do Lazio, onde fica Amatrice, existem atualmente 550 obras de caráter privado, que totalizam 110 milhões de euros em financiamento público, e outros 55 milhões devem ser liberados em breve.
Além disso, há 120 projetos de intervenções públicas, sendo que cerca de 20, como a reconstrução do hospital da cidade, devem começar neste ano. No entanto, a maior parte dos desabrigados pelo terremoto segue vivendo em moradias provisórias.
“Os amatricianos têm total razão [em reclamar], mas agora existe um quadro normativo que cria as premissas para proceder mais rapidamente”, disse o primeiro-ministro Giuseppe Conte, que visitou o vilarejo nesta segunda-feira (24) O premiê também prometeu direcionar repasses do Fundo de Recuperação da União Europeia, do qual a Itália é a maior beneficiária, para a reconstrução de Amatrice. Ainda assim, Conte foi cobrado por um grupo de moradores que pediu ações efetivas.
“Queremos concretude, estamos cansados de promessas. Estamos cansados”, afirmou uma mulher ao primeiro-ministro.
Cerimônia – As 299 vítimas do terremoto – sendo 238 em Amatrice – que sacudiu o centro da Itália em agosto de 2016 foram lembradas com uma missa no campo esportivo do vilarejo.
A cerimônia reuniu cerca de 600 pessoas, com distanciamento social, incluindo Conte e o governador do Lazio, Nicola Zingaretti, um dos fiadores do premiê.
Em sua homilia, o bispo de Rieti, monsenhor Domenico Pompili, reclamou que o tremor de terra não provocou a mesma “mobilização” que o desabamento da Ponte Morandi, que fez 43 vítimas em agosto de 2018.
Dois anos após o colapso, a nova ponte já foi reconstruída, em tempo recorde para os padrões italianos. “Os Apeninos [cordilheira onde fica Amatrice] inteiros não mobilizaram tanto quanto a ponte de Gênova sozinha”, disse Pompili.
O terremoto de Amatrice deu início a uma sequência sísmica na Itália Central que continua ativa e já provocou 333 mortes, todas elas entre agosto de 2016 e janeiro de 2017.
“Hoje completam-se quatro anos do terremoto na Itália Central.
Renovo a oração para as famílias e comunidades que sofreram os maiores danos, para que possam seguir em frente com solidariedade e esperança”, diz uma mensagem postada nos perfis do papa Francisco no Twitter. (ANSA).