Medicina & Bem-estar

Beleza sob a pele

Novo procedimento usa fios absorvidos pelo organismo para promover o rejuvenescimento da face

Beleza sob a pele

TRAÇOS

Um dos desafios da indústria da beleza é achar materiais inovadores para atenuar os sinais deixados pela passagem do tempo na face. Nesse campo, um dos mais recentes lançamentos no País são os fios confeccionados com ácido polilático. “Esses fios, conhecidos também como sutura Silhouette, têm efeito rejuvenescedor assim que são colocados, mas os melhores resultados aparecem entre 60 e 90 dias”, garante o dermatologista César Cuono, de São Paulo.

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TRAÇOS
Os fios podem ser colocados no contorno facial, segundo o médico Cuono

A melhora imediata se explica pelo tracionamento da pele. O fio de ácido polilático possui, ao longo de sua extensão, alguns pequenos cones que engancham nos tecidos no momento em que o dermatologista o puxa sob a pele. Esse movimento acaba resultando em um efeito lifting (suspensão da pele), sem que seja necessário fazer cortes na pele.

Já o efeito a longo prazo é atribuído pelos fabricantes à ação estimulante da produção da proteína colágeno, que dá firmeza à pele. Ela seria provocada pela combinação da presença do ácido polilático com o tracionamento, que provocaria uma reação inflamatória no local. Essa resposta, por sua vez, estimularia a fabricação do colágeno. Para a dermatologista Valéria Campos, de Jundiaí, interior de São Paulo, o incentivo à produção da proteína ocorre apenas em áreas ao redor do fio. Ela e Cuono fizeram cursos de treinamento para aprender a lidar com o novo recurso.

Sua colocação é feita em consultório, com anestesia somente nos pontos de entrada dos fios. Eles já estão bem definidos: as áreas nas quais os fios são colocados são a testa, as próximas ao osso malar (bochechas), o contorno facial e o pescoço.

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O fio de ácido polilático é absorvido pelo organismo. “Eles se manteriam intactos por até dois anos. Depois, há necessidade de nova aplicação”, explica Cuono. Esta é uma das maiores diferenças do novo recurso em comparação a métodos semelhantes, alguns usados até hoje. Entre eles estão o chamado fio russo (trata-se de um fio de sutura feito de polipropileno) e o fio de ouro. Ambos não são absorvidos.

Celebrado como avanço, o fio de ácido polilático só causa divergência entre os especialistas no que se refere à dor na colocação. “Na minha experiência com diversos pacientes e a colocação de mais de 60 desses fios, nenhum deles teve queixa de dor nem durante nem  após o procedimento. Relataram apenas um pouco de desconforto, mas nenhum se referiu a dor”, diz Cuono.

Ele próprio se submeteu à técnica recentemente. “Senti apenas algum desconforto passageiro na região tracionada pelo fio após o procedimento e nos três dias seguintes”, relata o especialista. Porém a dermatologista Valéria Campos diz que pessoas com maior sensibilidade à dor podem ter sintomas mais intensos na área tracionada. “Há quem fique com o rosto dolorido. Por isso é importante conversar com o paciente sobre a sua suscetibilidade à dor antes de optar pelo tratamento”, recomenda Valéria. Cada fio custa entre R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil. Em geral, aplica-se ao menos um fio de cada lado da face.

Foto: Pedro Dias/Ag. Istoé