Brasil

A pista cresceu

Testes provam que Claudinei Quirino deve correr os 400 metros

A medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Sydney pelo revezamento 4 X 100 metros rasos foi festejada como se fosse o ouro conquistado pelo fantástico time americano. No domingo 6, os brasileiros voltam a enfrentar americanos e cubanos, bronze na Olimpíada, no Meeting Internacional de Atletismo do Rio de Janeiro. Esta poderá ser uma das últimas chances de acompanhar a equipe completa por aqui. Os resultados dos testes de desempenho feitos por Claudinei Quirino no GSSI, um dos mais importantes centros de ciência esportiva do mundo, levaram o técnico do atleta e da equipe de revezamento, Jayme Netto Júnior, a uma decisão importante. A partir da temporada de 2002, Claudinei, 29 anos, recordista sul-americano dos 200 metros, trocará os tiros curtos pelas disputas de 400 metros rasos. “As mudanças assustam, mas não sou de fugir da raia. Vou encarar o desafio”, disse Claudinei a ISTOÉ, em Barrington, na região metropolitana de Chicago.

Os exames feitos no instituto financiado pela Gatorade ajudaram a compor a radiografia de um atleta especial. No teste de capacidade aeróbica, o índice obtido com a combinação de fatores como capacidade de oxigenação do sangue, peso e tempo, chamado de VO2, foi de 54,4. “Neste teste, marcas acima de 40 são consideradas excelentes”, atesta o fisiologista Victor Matsudo, um dos representantes dos GSSI na América do Sul. “Isso mostra uma capacidade rara de remover o ácido láctico do organismo e também de resistir à alta produção da substância, conseguindo uma capacidade extra”, completa o médico.

Os especialistas americanos se espantaram também com o resultado do teste de capacidade anaeróbica, para medir a energia produzida sem oxigenação por 30 segundos numa bicicleta ergométrica especial. Claudinei atingiu o pico de 1.496 watts, com média de 900 watts. Foi aplaudido pelos técnicos ao deixar a bicicleta. Não era para menos – tinha acabado de pulverizar o recorde do exercício desde a criação do GSSI, em 1988. Sua média superou os 700 watts de pico atingidos pelo principal maratonista mexicano, examinado no mesmo dia. O recorde anterior pertencia ao jogador de basquete Vincent Carter, ala do Toronto Raptors, conhecido na NBA americana pelo seu vigor. Carter chegou ao topo de 1.150 watts cinco meses antes da visita do brasileiro.

A alta capacidade de produção de energia e a facilidade de remoção de ácido láctico do organismo são responsáveis, por exemplo, pelo ótimo resultado de Claudinei no teste dos 40 segundos. No exame, a distância percorrida pelo atleta em 40 segundos é registrada. “Ele atinge 370 metros. É mais um dado para reforçar a tese da mudança de prova. O recorde do americano Michael Johnson nos 400 é de 43s18. Com um bom programa de treinamento, Claudinei poderá entrar na briga”, analisa Jayme Netto. A equipe americana confirmou a participação de Brian Lewis, um dos vencedores em Sydney. Cuba, medalha de bronze, trará os olímpicos Fred Mayola e Ivan Garcia. Claudinei e Jayme Netto ainda terão muito trabalho antes de assumir o novo desafio.