Brasil

Dança na areia

Nove nações se reúnem no litoral paulista e realizam a primeira Festa Nacional do Índio

Em 19 de abril de 1940, realizou-se no México o primeiro congresso indigenista interamericano. A data, por coincidência aniversário do Marechal Rondon, foi escolhida para comemorar o dia do índio em todo o continente americano. Sessenta e um anos depois, no Brasil, nove nações indígenas estão reunidas em Bertioga, litoral norte de São Paulo, para realizar a Primeira Festa Nacional do Índio. O evento, que vai até o dia 22, é uma iniciativa do prefeito Lairton Goulart, com aval da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Comitê Intertribal. Durante quatro dias, mais de 300 representantes das tribos apresentarão parte de sua cultura com danças, músicas, competições esportivas, entre elas a corrida de tora, e o tradicional huka-huka, um tipo de luta.

O objetivo da festa, de acordo com Goulart, é valorizar a cultura indígena brasileira. “Bertioga foi palco de inúmeros acontecimentos envolvendo índios, inclusive durante a Confederação dos Tamoios. Nossas raízes estão entrelaçadas”, diz. Para os índios, é uma oportunidade de mostrar que a sua cultura permanece viva. Carlos Terena, diretor de Eventos Culturais e Esportivos da Funai, afirma que a festa foi muito bem aceita pelas 180 tribos do País. “Depois de 500 anos esta é a primeira vez que fomos convidados a mostrar nossa cultura no litoral”, lembra Terena. “Para se ter idéia da importância do acontecimento para nós, as índias do Xingu também se apresentarão. Elas nunca haviam saído de lá”, conta ele. “Também será a primeira vez que muitos índios verão o mar.”

O cenário que esses índios vão enxergar, o Forte São João, na praia da Enseada, foi palco de conflito entre os portugueses e os tamoios. Guaranis, xavantes, bororos, bakairis, terenas-terenoé e quatro etnias que vivem no Parque Nacional do Xingu, todos do Centro-oeste do País querem, além de festejar a vida, homenagear Orlando Villas Boas, um dos mais renomados indianistas do Brasil. Carlos Terena espera, no entanto, que o evento chame a atenção do governo de São Paulo para as más condições em que vivem os guaranis no litoral paulista. “Queremos brincar e festejar, mas também estamos nos organizando para melhorar nossas vidas”, conclui.