Artes Visuais

Dentro da obra de arte

Exposição em Brasília favorece mergulho nos universos criativos de importantes artistas contemporâneos brasileiros

Dentro da obra de arte

QUEBRA-CABEÇA Obra de Vik Muniz usa o brinquedo como matéria-prima da imagem ()

EXPERIÊNCIA DA ARTE – SÉRIE ARTE PARA CRIANÇAS/ Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília/ até 11/8

Seis artistas e um escritor estão reunidos nos espaços expositivos e nas áreas externas do CCBB Brasília na exposição “Experiência da Arte – Série Arte para Crianças”. Concebido pelo curador, produtor cultural e artista Evandro Salles, o projeto tem como objetivo introduzir a arte contemporânea para o público infantil. Seu maior mérito, no entanto, não está exatamente em focar a jovem audiência. Mesmo que a criança seja considerada pelo curador como “o público ideal para a arte” por estar ainda com o aparato de linguagem em desenvolvimento, a fruição da arte sem impedimentos e barreiras é o que muitos artistas buscam provocar em seu público, independentemente da idade. E esse estado de despojamento é atingido pelas instalações de Vik Muniz, Ernesto Neto, Paula Trope, Eduardo Coimbra, Waltercio Caldas, Cildo Meireles e do escritor Wlademir Dias-Pino, aqui expostas.

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QUEBRA-CABEÇA
Obra de Vik Muniz usa o brinquedo como matéria-prima da imagem

A tônica comum a esses criadores de diferentes gerações e linguagens é a de proporcionar uma experiência imersiva em seus processos e poéticas. Com uma obra de forte apelo visual, que beira o ilusionismo, Vik Muniz expõe em um dos pavilhões do jardim seus retratos feitos com soldadinhos, carrinhos e outros brinquedos. Em outra sala do pavilhão foi instalado um ateliê-estúdio fotográfico, que oferece ao público a oportunidade de experimentar o método de elaboração dessas imagens.

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CINEMA
Visitante entra na câmera escura construída por Paula Trope

Pesquisadora de fotografia, cinema e imagem em movimento, Paula Trope oferece ao público a chance de entrar em uma câmera escura e conhecer o princípio ótico da construção de imagens. A câmera escura, sistema usado por pintores renascentistas para captar e reproduzir imagens, é o princípio da fotografia. Instalada no meio do jardim, a câmera escura penetrável de Paula acolhe 12 pessoas em sessões de cinema em tempo real, em que a paisagem externa do CCBB é captada por um pequeno orifício e projetada na parede interna da instalação.

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TRENZINHO
"Riogiboia", de Ernesto Neto, é túnel sensorial penetrável

Outro destaque é “Riogiboia”, estrutura de tecido transparente, flexível e penetrável, concebida por Ernesto Neto especialmente para a mostra. Com o formato de uma cobra sinuosa que corre no leito de um rio, a obra pertence à família de “naves”, construídas pelo artista desde o final da década de 1990. O trabalho sensorial do carioca Ernesto Neto, que esteve em cartaz no Guggenheim de Bilbao até maio, também pode ser experimentado atualmente no Rio de Janeiro (ler Roteiros).

Fotos: Joana França