Brasil

A sombra da CPI

Busca de votos para criar comissão que investigará corrupção vira jogo de gato e rato entre governistas e oposicionistas

Terça-feira, 17 de abril. O senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) anuncia seu apoio à CPI da Corrupção. A luz vermelha se acendeu na bancada governista do Senado. Com a assinatura de Maldaner, faltava apenas o apoio de um senador para a criação da CPI. Não demorou muito. O senador Amir Lando (PMDB-RO) cumpriu, então, a promessa feita ao líder da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE). “Eu disse que, se 26 assinassem o requerimento, eu seria o 27º”, justificou. Com o revés no Senado, o Planalto passou a concentrar esforços na Câmara, onde, na quinta-feira 19, faltavam 20 assinaturas para viabilizar a criação da CPI mista.

Enquanto a oposição corre atrás de apoio, a tropa de choque do governo trabalha para que outros parlamentares retirem a assinatura do requerimento. Também não será fácil instalar a CPI no Senado. Não há garantia de que todos os que subscreveram o primeiro pedido repitam o apoio num obrigatório segundo requerimento. Um dos que poderão rever sua posição é José Fogaça (PMDB-RS), cotado para ser líder do governo na vaga do colega tucano José Roberto Arruda (DF), enrolado no escândalo da violação do painel eletrônico do Senado. A situação na Câmara é mais complicada: a bancada evangélica, por exemplo, comandada pelo deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ), é uma das que acenam para a oposição ao mesmo tempo que negociam com o governo. Na quarta-feira 18, Rodrigues se reuniu com líderes da oposição e anunciou que nove deputados evangélicos filiados ao PL vão assinar o requerimento na terça-feira 24. A turma do Bispo apresentou uma conta salgada ao governo para mudar de posição: abatimento da dívida dos templos com o INSS, aumento da publicidade nas redes de tevê dos evangélicos e liberação de verbas para as emendas apresentadas pelos deputados.

Os líderes governistas, porém, asseguram que o esforço da oposição não vai dar em nada. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), tranquilizou o presidente Fernando Henrique. Informou por telefone que tem um pacote de declarações escritas por deputados de seu partido cancelando as assinaturas de apoio à CPI. Elas só serão utilizadas se houver ameaça real de a oposição alcançar as 171 adesões. Se não for necessário, os peemedebistas continuarão posando para os seus eleitores como partidários da investigação das denúncias de corrupção.

A coleta de assinaturas assusta o governo. Um dos 13 pontos a serem investigados pela CPI agitou Brasília na tarde de segunda-feira 16. O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), foi à tribuna para se defender da denúncia de envolvimento no escândalo da Sudam, que contabiliza um desvio de R$ 1,7 bilhão. No mesmo dia em que Jader se explicava, a Justiça Federal determinava a prisão de 27 pessoas acusadas de participar da roubalheira. Na operação, foi preso o empresário José Osmar Borges, denunciado pelo Ministério Público como responsável pelo desvio de R$ 133 milhões da Sudam. Osmar foi sócio de Jader entre 1996 e 1998 e ficou preso menos de 24 horas. A PF descobriu que a Saint Germany, empresa de propriedade de Osmar, que comprou a fazenda no Pará em sociedade com Jader, movimentou R$ 209 milhões só em 1996. O dinheiro foi para uma conta CC-5 usada para mandar recursos para o Exterior