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Eldorado africano

Devido às oportunidades de negócio em Angola, 20 mil brasileiros se mudaram para o país, que este ano já importou US$ 1 bilhão do Brasil

Eldorado africano

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A decisão da Taag, companhia aérea de Angola, de ampliar a freqüência dos vôos do Rio de Janeiro para a capital de Angola, Luanda, de três para cinco vezes por semana, neste ano, foi tomada em função de nova realidade. A empresa, que em 2005 fazia o trajeto um dia a cada sete, hoje cruza o Atlântico quase diariamente com o avião lotado de brasileiros em busca de oportunidades em solo africano. O motivo da procura está nos números: o comércio entre Brasil e Angola cresceu 500% de 2004 a 2007. Só de janeiro a agosto deste ano, as exportações verdeamarelas para o país somaram mais de US$ 1 bilhão, cifra semelhante à do ano passado inteiro. Nem mesmo a crise internacional parece frear a corrida. Na semana passada, 60 representantes de mais de 100 empresas brasileiras estiveram em Angola na primeira missão comercial organizada no país pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Vemos um mar de oportunidades lá”, anuncia Juarez Leal, coordenador da Apex e responsável pela missão. “Angola é um dos mercados mais promissores da África”, comemora o secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral.

Arrasada por 26 anos de guerra civil, Angola passa por um intenso processo de reconstrução. No ano passado, o crescimento foi de 21%, um dos maiores do mundo. E as previsões para este ano se mantêm acima dos 15%. “Está tudo por fazer”, diz, animado, Ronaldo Chaer, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Angola. Atraídos pelos bons prognósticos, cerca de 20 mil brasileiros já se mudaram para lá, segundo estimativa da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran). “Muitos montam negócio próprio”, afirma Alberto Esper, presidente da Aebran. De fato, o número de empresas vinculadas a brasileiros em Angola é próximo a 100.

As relações comerciais dos brasileiros com os angolanos são bastante ecléticas: de novelas a sucos de frutas, passando por roupas, xampus (o de abacate é o preferido das angolanas), medicamentos e eletrodomésticos. Neste mercado, os brasileiros têm como concorrentes diretos os chineses. “Mas nós falamos a mesma língua e temos uma estrutura própria para ouvir reclamações e sugestões dos clientes”, diz Damaris Eugênia Ávila da Costa, 50 anos, que gerencia uma exportadora de vidros, a Braseco.

Dona de uma trading de etanol neutro – para fabricação de bebidas alcoólicas –, Ana Carla Arantes, 34 anos, desembarca todo mês, em Luanda, 20 contêineres com 20 mil litros cada. Mas, com o porto congestionado, muitas vezes o navio leva duas semanas para atracar e outras duas para o desembaraço alfandegário. Outro entrave em seu negócio é a constante queda de energia – não à toa, a estatal brasileira Furnas participa da construção de uma nova hidrelétrica. Mas a maciça presença de conterrâneos ajuda a compensar os problemas.

Há dois anos, o consultor Breno Moreira Leite foi a Luanda para trabalhar no projeto de um centro de fitness. O trabalho durou cerca de um mês, o suficiente para ele gostar do país. “Há condomínios fechados, com total segurança e infra-estrutura”, afirma. A presença de angolanos em solo brasileiro também rende dividendos. A Televisão Pública de Angola (TPA) está gravando no Rio a novela Minha terra, minha mãe, com elenco angolano e brasileiro e direção do paulista Reynaldo Boury. “Eles adoram as novelas do Brasil”, atesta a atriz brasileira Julia Lund, que participa da trama.

Mas nem tudo é um mar de rosas nesse eldorado africano. Burocracia, corrupção e problemas com o visto de trabalho são alguns dos entraves mencionados por empresários que se aventuram por aquelas bandas. Como Adriano Amui, diretor do Invent, empresa de treinamento em vendas, que foi a Angola no mês passado para analisar a possibilidade de abrir negócios e acabou desistindo. “A entrada como empresa independente é muito complexa devido a questões culturais e à burocracia”, conclui. Outros empresários ouvidos por ISTOÉ encontraram problemas similares. “É muito comum ministros serem sócios de grandes empreendimentos, o que acarreta tráfico de influência”, afirmou um empreendedor que preferiu não se identificar. Mas os brasileiros se mantêm otimistas. “O governo está diversificando os investimentos para criar uma economia sustentável, que não dependa somente de petróleo e diamantes”, afirma Esper, da Aebran. Enquanto houver trabalho a fazer, só o Atlântico poderá separar Brasil e Angola.

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