Edição nº2602 08/11 Ver edições anteriores

Não apostem contra Dilma

Em mais de uma ocasião, ela já provou que não entrega os pontos com facilidade

A banca de apostas está montada. Às vésperas de cada pesquisa eleitoral, especuladores compram ações de empresas estatais, especialmente da Petrobras, ao primeiro sinal de queda da aprovação de Dilma Rousseff, de alta dos oposicionistas Aécio Neves e Eduardo Campos ou mesmo de volta do ex-presidente Lula, percebido pelos agentes financeiros como um nome mais pró-mercado e menos intervencionista do que sua sucessora. Simples assim: Dilma cai, as ações sobem.

Mas será que os especuladores vão mesmo ganhar a aposta? Ou será que já se pode dar como favas contadas a substituição de Dilma por Lula, chamado por Marina Silva de “bala de prata do PT”, depois que um deputado da base aliada, o mineiro Bernardo Santana (PR-MG), lançou oficialmente o “volta, Lula” e pendurou o quadro do “velhinho” na parede de seu gabinete?

Essa, sim, é uma aposta de risco de altíssimo risco. Só quem não conhece Dilma Rousseff acredita que ela poderá entregar os pontos com facilidade. Aliás, é nas situações de crise, que ela se mostra mais confortável, como se estivesse até se divertindo com o fuzuê que enxerga das janelas do Palácio do Planalto.

As mensagens de que ela pretende continuar por mais quatro anos falam por si. Num encontro com jornalistas esportivos, Dilma afirmou com todas as letras: “Sei da lealdade de Lula por mim, e ele sabe da minha por ele”. Ou seja: se alguns ainda a enxergam como criatura, ou “poste”, ela se colocou em pé de igualdade com o criador – e não como sua devedora. Um dia depois, numa entrevista a rádios da Bahia, ela afirmou que será candidata “com ou sem apoio de sua base”. E disse que se não tiver esse apoio, “paciência”.

Dilma é uma mulher de combate – ou, se preferirem, com alma de guerrilheira. Já foi presa, torturada e não serão a cara feia de um ou outro deputado e a vontade de trair de tantos outros que a farão desistir no meio do caminho. Ela não se vê numa posição subalterna dentro do PT e da base aliada e acredita estar fazendo um governo que merece mais quatro anos. Vai lutar para seguir em frente. O que não se pode medir, ainda, é o impacto que divisões internas terão nessa disputa e em que grau favorecerão os adversários Aécio e Eduardo. 


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