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Bush leva um não!

Depois de 12 anos, o Partido Democrata recupera o controle do Congresso

Foi uma terça-feira gorda para o Partido Democrata americano. No último dia 7, quando 43% do eleitorado dos EUA foi às urnas, a oposição ao presidente George W. Bush recuperou a maioria parlamentar que não tinha desde 1994. Na Câmara dos Representantes compôs uma bancada de 229 deputados, contra 196 republicanos. Assim, fez-se história: a presidência da instituição será exercida pela primeira vez por uma mulher, a liberal californiana Nancy Pelosi, 66 anos. No Senado, onde a briga era de ladeira acima, faturou sete assentos, montando maioria simples de 51 conta 49 (o vice-presidente Dick Cheney conta como votante naquela Casa, dando ao governo mais um aliado). De quebra, a oposição passou de 22 para 28 governadores, enquanto os republicanos sofriam resultado inverso, caindo de 28 para 22 cadeiras. O presidente, portanto, teria uma quarta-feira de cinzas, em que procurou demonstrar humildade e arrependimento por seus pecados. Começou por demitir seu combalido secretário de Defesa, Donald Rumsfeld – o qual, garantira Bush na semana passada, iria manter a qualquer custo. Nomeou para substituí-lo um velho amigo da família Bush – leia-se, do papai George –, o ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) Robert Gates. O ato foi a cereja complementar no bolo da vitória democrata. Ao mesmo tempo, abria-se já a corrida para a Casa Branca em 2008, com os senadores democratas Hillary Clinton (Nova York) e Barack Obama, de Illinois – este de apenas 45 anos e dois como senador. De qualquer modo, o carnaval dos neoconservadores, que pontificavam em Washington desde 2000, terminaria com as fantasias rasgadas.

A limpeza do salão não será fácil. O primeiro grande entulho a ser removido é o carro-chefe da política externa de Bush: o Iraque. A maioria dos eleitores cravara seus votos nos democratas na esperança de que se retirem as tropas encalhadas numa guerra sem fim, e que até agora já deixou quase três mil soldados americanos mortos. Não será tarefa fácil, mas para isso o presidente Bush já chamara havia meses James Baker III, ex-secretário de Estado de Bush pai e amigo quebra-galho da família. Ele tem a tarefa de trazer os republicanos de volta aos caminhos moderados trilhados antes de enveredarem pela aventura neoconservadora abraçada por Bush filho. Os democratas, por enquanto, não disseram qual sua estratégia para esta e outras questões. É preciso que façam isso logo, sob o risco de perderem as eleições de 2008. Ninguém entende isso melhor do que Hillary Clinton. Ela manteve posição centrista no que se refere à debandada da aventura iraquiana. “Por um lado, Hillary tem de manter sua base aliada na esquerda – que a vê com desconfiança por causa da falta de proposta radical contra a ocupação do Iraque. Por outro lado, ela sabe que, se chegar à Presidência, terá de lidar com o caos no Oriente Médio, onde a influência do Irã, da Síria e das forças inimigas dos Estados Unidos vai ocupar espaços nesta região rica em petróleo. Nos próximos dois anos, Hillary tem de fazer tudo para limpar essa área”, diz o estrategista-político Howard Montgay, do Comitê Nacional Democrata.

A seu favor, a ex-primeira-dama terá não apenas a maioria partidária no Congresso, mas também o fato de ser representante do Estado mais importante desta nova fase do país. Nova York – que reelegeu a senadora com 69% dos votos (o recorde histórico é 71%) – também deu aos democratas o governo do Estado (Eliot Spitzer) e todas as posições de relevância política. O deputado Charles Rangel – representante do Harlem e fervoroso aliado dos Clinton – será o novo presidente da comissão de apropriações da Câmara. Ou seja: tem a chave do cofre, o que permite comprar apoios de congressistas buscando verbas para seus distritos.

“Hillary está com um posicionamento invejável. Seus rivais no Partido Democrata vêm principalmente da esquerda do partido, que não nomeia um candidato desde o fracasso de George McGovern perante Richard Nixon, em 1972. Howard Dean, presidente do partido, tem aspirações que não passam de fantasia. Há outros na mesma posição. O único destaque vai para Barack Obama. Ele entusiasma agora, mas quem votaria num principiante, com poucos anos de experiência? Na opinião da maioria dos marqueteiros políticos, Obama está mesmo de olho na vice-presidência”, diz Frank Lutz, consultor republicano.

É de se perguntar se os eleitores americanos estariam dispostos a eleger uma chapa que tem uma mulher na cabeça e um jovem negro como vice. “Não acho que Hillary vá fazer o erro de pegar Obama para vice. Isso seria um triunfo para John McCain [senador republicano pelo Arizona e líder da preferência do partido para 2008]. Acredito que Hillary colocará na chapa alguém bom de voto na Flórida ou em Ohio”, diz Oswald Menkor, analista político independente. O cálculo é: se ela vencer em todos os Estados que ficaram com John Kerry em 2004, precisaria apenas de um outro Estado para levar a presidência. “Este, na minha opinião, seria a Flórida, que tem muitos idosos e latinos, que deram agora a vitória aos democratas”, completa Menkor. Seja como for, o reinado de George Bush II, como o de um rei momo, acabou em papel picado.

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