Comportamento

Sabrina Sato: “A análise me ajudou a decidir pela Record”

A musa diz que, quando os homens a veem pessoalmente, ficam decepcionados e conta em quem se inspira para estrear como apresentadora

Sabrina Sato: “A análise me ajudou a decidir pela Record”

Aos que tinham alguma dúvida sobre a curva ascendente da carreira de Sabrina Sato chegou a hora de baixar a guarda de vez. “E veeeerdade, gente”, parafraseando o bordão usado por ela carregado de sotaque caipira. A moça de 32 anos, nascida em Penápolis, interior paulista, que assume ter entrado na tevê pela porta dos fundos como participante da edição de 2003 do Big Brother Brasil, da Globo, está por cima da carne seca. Com sua transferência para a Record, no fim do ano passado, ela está prestes a realizar o antigo sonho de apresentar um programa de tevê. Em abril, Sabrina deverá estrear na grade da emissora no comando de uma atração com auditório, aos sábados. Estima-se que seu salário será de R$ 1 milhão. Filha de psicólogos, a musa não para: será rainha de bateria de duas agremiações no Carnaval, faz aula de artes marciais, posa para lançamentos de produtos e, claro, também namora.

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ISTOÉ – A expectativa de estrear como apresentadora tem mudado o quê em sua rotina?
Sabrina Sato –
Comecei o ano já com uma mudança: ainda não dormi direito. Na noite passada, dormi só três horas. Acho que só vai acontecer (uma boa noite de sono) quando eu estrear o programa. Estou muito inquieta, sinto uma grande ansiedade para que tudo aconteça, ideias surgem no sonho, minha cabeça não para. Sempre trabalhei muito. Está na minha veia de imigrante. Eu tenho uma avó suíça e um avô libanês do lado materno e dois japoneses do lado paterno e todos sempre trabalharam demais. Outro dia, numa das reuniões na Record, o (diretor) Detto Costa me perguntou se eu estava tranquila. Respondi que não, que não estava dormindo direito. Aí, ele falou: “Assim que é bom. Se você estivesse confortável, tranquila, eu iria desconfiar que a coisa pudesse não dar certo”.

ISTOÉ – O que precisa corrigir para encarar a apresentação de um programa?
Sato –
Não existe fórmula para ser apresentadora e nem para o sucesso. Não tem segredo. Cada apresentador é diferente um do outro. E não se pode esperar de mim algo que não sou. Eu nunca tive a pretensão de ser diferente. Dentro das minhas possibilidades, eu posso melhorar. Por exemplo, estou fazendo aulas com uma fonoaudióloga. Eu não quero mudar o meu sotaque. Já quis muito, tentei outras vezes, mas é difícil. Minha voz é um tanto Nair Bello, uma mistura de Nair Bello com Pato Donald, mas não tem problema. O meu objetivo é que me entendam quando eu falo. Tenho um problema: enquanto a minha cabeça anda num ritmo, a minha boca trabalha em outro mais acelerado. Aí eu me atrapalho. Eu preciso, então, aprender a falar devagar, mas sem perder a naturalidade.

ISTOÉ – E sem se enquadrar em um padrão de apresentador de tevê?
Sato –
Não quero me encaixar em um padrão de apresentador. Porque nunca me encaixei em um padrão na vida. Sou japonesa com uma verruga no meio da testa, de cabelo loiro. Tenho bumbum da Carla Perz e cinturinha da Thalía (cantora mexicana). Eu tenho nariz de cajúúú! Avantajado! Acho isso muito bacana. Ah, e ainda sambo, viu? Sou Rainha da bateria da Vila Isabel e da Gaviões da Fiel.

ISTOÉ – Teve encontros com algum apresentador para receber dicas?
Sato –
Ah, eu tenho conversado muito com a Hebe, ultimamente (risos). Não fala isso, não, por favor. Mas eu sempre admirei a Hebe. E o segredo dela era ser, na tevê, do jeito que era fora dela. O apresentador que se destacou e surpreendeu nos últimos anos é o Rodrigo Faro. O Luciano Huck tem o seu talento. E tudo o que aprendi foi com o Emílio Surita, que, além de gênio, é generoso. O Faustão – fui bailarina do programa dele – é espontâneo, engraçado. A Xuxa tem o poder de deixar as pessoas paralisadas, de despertar os sonhos da gente. E eu amava o Chacrinha e amo o Silvio Santos.

ISTOÉ – A sua inteligência fala mais alto em quais situações?
Sato –
Na maioria das situações. Passei no vestibular em universidade federal sem precisar fazer cursinho, aos 17 aninhos (risos). Me relaciono bem com todo o tipo de pessoas, respeito elas e as entendo. Não consigo brigar com ninguém porque consigo entender o próximo. Sempre me coloco no lugar dele. Isso não é inteligência emocional? A intuição, a inteligência da mulher, nunca podem ser subestimadas, porque são a coisa mais importante para a tomada de boas decisões na vida. Na maioria das minhas decisões, grandes, como vir para a Record, e pequenas, como escolher um sapato de salto, eu segui meu coração.

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"Acho que não vai acontecer de eu voltar para o Pânico, mas eu iria
de boa se ocorresse. Tenho gratidão por tudo o que fiz"

 

ISTOÉ – Como digeriu as declarações do empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, o mentor do Pânico, que disse, quando você decidiu sair da trupe criada por ele, desejar que você se dane?
Sato –
O que ele disse foi da boca para fora. Era o personagem dele falando. Tutinha tem de montar nessa fama dele. Mas na verdade ele tem bom coração. O Tutinha me ama. Falou o que falou para causar apenas. Conheço a peça.

ISTOÉ – Se preciso fosse, daria um passo atrás e voltaria a pedir emprego para o Pânico?
Sato –
Eu não tenho orgulho. Tenho gratidão por tudo o que eu fiz. Não tenho essa de querer apagar o passado. Eu sou muito grata de ter sido bailarina no Faustão, de fazer figuração, de participar do Big Brother, do Pânico. Acho que não vai acontecer de eu voltar para o Pânico, mas eu iria de boa se ocorresse. Do mesmo jeito eu pediria de novo para dançar no Faustão. Eu não tenho medo e nem vergonha de trabalhar. As pessoas injetam muita fantasia em cima desse mundo de televisão, acham que é moleza, curtição. Na verdade, é muita ralação. Aposto que seus amigos aí devem fantasiar o fato de você ser jornalista, entrevistar pessoas famosas, por exemplo. Mas só você sabe o que é me aguentar num horário desses, me entrevistando, para dar conta da sua tarefa aí (risos).

ISTOÉ – Olha, acredito que alguns amigos iriam curtir estar ao telefone com a Sabrina Sato a hora que fosse.
Sato –
Ai que bom!

ISTOÉ – O carisma veio de berço ou você o desenvolveu?
Sato –
Não consigo ver o carisma que as pessoas tanto falam… Olha, a minha avó, já falecida, tinha uma loja de roupa. Quando viva, a loja vivia lotada até à noite e parecia um programa de televisão. Porque as pessoas iam lá para vê-la e acabavam comprando. As pessoas iam ver a minha avó porque ela era muito legal, engraçada, generosa. Ela contava piadas do Ary Toledo e do Costinha (risos). Lembro do meu avô rindo dentro do quarto deles. Minha avó não tinha vaidade, só pensava nas outras pessoas. E todo mundo fala que eu lembro a minha avó – e também a minha mãe.

ISTOÉ – Seus pais são psicólogos. Procurar analista fez parte da sua vida?
Sato –
Casa de ferreiro, espeto de pau. Eu fiz terapia por muitos anos, abandonei, voltei, parei de novo. Eu queria trabalhar na televisão desde sempre. Mas não admitia isso para mim por vergonha, por preconceito. Tinha esse bloqueio, vergonha de dizer para os outros que gostaria de trabalhar em tevê, ser apresentadora. Na época da faculdade de jornalismo, então, procurei uma analista. Eu era virgem, não tinha namorado, apesar de já estar na hora. Eu tinha medo de me apaixonar, de me entregar. Então, tinha esse problema de relacionamento e de descobrir qual a minha aptidão para a vida. Bom, comecei a fazer faculdade sem saber o que queria. Aí, fazendo testes para tevê, aulas de fono para perder o sotaque, decidi: “Quer saber, vou me inscrever no Big Brother, entrar pela porta dos fundos mesmo”. E entrei e comecei a trabalhar na tevê. Ano passado, fiz análise freudiana.

ISTOÉ – Por qual motivo?
Sato –
Eu tinha crescido, me tornado uma mulher e não podia ficar me escondendo, não admitindo que já era uma mulher. Eu cresci e precisava admitir isso para mim. E também precisava ir atrás das minhas vontades, dos meus desejos, me organizar para isso. Tenho mania de fazer tudo o que as pessoas me pedem e querem de mim, como a minha avó também fazia. E a análise me ajudou a decidir pela Record. Eu aprendi que eu precisava ser dona da minha vida, entendeu? Eu nunca planejei nada. Não gosto de cuidar de parte burocrática. Não sei nem o meu salário.

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"Não tenho essa de querer apagar o passado. Eu sou muito grata de ter sido bailarina
no Faustão, de fazer figuração, de participar do Big Brother"

 

ISTOÉ – Fala-se em R$ 1 milhão por mês.
Sato –
Nunca ouvi uma mentira maior que essa. Nem perto. Deve ser 20% disso. Eu vou ganhar um pouquinho mais do que recebia no Pânico. Sabe por que? Porque não saí da Band e vim para a Record por dinheiro. Saí para realizar o sonho que eu tinha, para correr atrás do que sempre quis fazer. A minha irmã e meu irmão que administram o meu dinheiro, fazem aplicações. Eu não sei de nada. Só sei quando estou gastando muito ou quando estou tranquila. Às vezes, minha mãe me empresta dinheiro, porque não ando com dinheiro na carteira. Meu irmão reclamou um dia que meu carro estava muito velho. Tenho ele há três anos. Minha sala de casa não tem ar-condicionado. Agora, roupa, sapato…sou mulher, né? Ganho muito essas coisas e compro bastante também. Tem de circular o dinheiro, gente!

ISTOÉ – Faz parte daquele grupo de beldades que dizem que os homens têm medo de se aproximar de você por causa da fama?
Sato –
Os homens não têm medo de mim, não. Pelo contrário, brincam muito. Engraçado, às vezes penso que eles me vêem como um homem, amigo deles, por quem eles têm carinho, respeito. A maioria dos meus namorados, antes, ficou muito amigo de mim antes de me beijar na boca. Já o João (Vicente, sócio e criado da produtora Porta dos Fundos e atual namorado de Sabrina) me chamou para jantar, mas nunca dava certo de nos encontrarmos. Até que, um dia, a gente se encontrou em um voo. Ele estava sentado na minha poltrona, acredita? Olha o destino! Eu gosto de romance. Relacionamento precisa de poesia.

ISTOÉ – Em quais momentos aparece o seu romantismo?
Sato –
Gosto de preparar um jantar para esperar meu namorado, fazer surpresas, mexer na orelha do parceiro enquanto ele dorme. E também gosto de gravar o sono da pessoa quando ela está roncando.

ISTOÉ – Você vai à padaria, dirige o próprio carro, pega fila?
Sato –
Eu consigo ter vida normal. Eu vou à padaria sossegada porque sei que vão querer tirar foto. Estando consciente disso, vivo normalmente. Para mim, vale mais comer o pão fresco ali na hora do que esperar ele chegar na minha mesa. Não sou um bicho de circo, quero viver a vida de verdade. Agora, vou te falar a verdade: eu ando de motorista há seis anos. Minha carteira de motorista venceu e a tomaram de mim. Fui proibida de dirigir, porque sou muito desligada e bati o carro algumas vezes. Já bati em uma mesma motorista três vezes, por exemplo. Mas não sou dondoca, não! Vou no banco da frente, com as pernas para cima riscando o vidro com o meu salto.

ISTOÉ – O que acha dos músculos saltados das suas penas?
Sato –
Eu não puxo peso. Ela é assim porque fui bailarina clássica e criei músculo. Hoje, ela ficou grande porque tem, agora, músculo e gordura. Os homens, quando me veem pessoalmente, ficam decepcionados. Dizem: “Tão gostosa na televisão e aqui tão magra!” Minhas pernas parecem grossas, mas elas não são. Eu sou mignon, minha cinturinha é 60 (centímetros).