Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

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Assista ao vídeo sobre a Campus Party

As espinhas no rosto e a falta de traquejo social de boa parte dos frequentadores da Campus Party, um dos maiores eventos de tecnologia do Brasil, que aconteceu na última semana, em São Paulo (SP), podem enganar o observador desatento. Entre os moleques viciados em jogos online e a multidão que torce fanaticamente por robôs lutadores estão alguns dos mais criativos e obstinados nerds do País. São jovens que, muitas vezes, ainda nem saíram da faculdade, mas já comandam empresas de tecnologia de ponta. Neste ano, 250 startups – como são conhecidas essas companhias – exibiram seus produtos e buscaram atrair a atenção dos chamados investidores-anjos (confira quadro) durante a feira.

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INOVAÇÃO
Da esquerda para a direita, os jovens empreendedores Dimas Broering,
Gabriel Benarrós e Luís Chavier: em busca de atenção e investimentos

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Dimas Broering, 24 anos, veio de Joinville (SC) decidido a mostrar que sua empresa, a Domotic Center, pode conectar praticamente qualquer aparelho à internet. “Essa tendência de ligar tudo à rede é irreversível”, aposta. Estudante de engenharia elétrica, Broering toca a empreitada com a ajuda de três sócios – das áreas de ciência da computação, engenharia e administração – arrebanhados na universidade. Na Campus Party, eles mostraram seu primeiro produto: um interruptor com tela sensível ao toque que se liga ao smartphone e permite controlar todas as luzes da casa a partir de qualquer lugar do mundo. A empresa já recebeu aporte de R$ 79 mil do governo de Santa Catarina e, agora, busca novos investidores para entrar com força no mercado.

Segundo Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil, entidade de fomento ao investimento-anjo, a presença de uma equipe multidisciplinar entre os sócios das startups é essencial para atrair o dinheiro. “Tem que ter gente com visão de mercado, de negócio e também com excelente noção de tecnologia”, afirma. Para Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP, apenas o estalo de genialidade na criação da empresa não basta. “As pessoas que estão aqui têm ideias avançadas e inéditas, mas precisam saber fazer o feijão com arroz”, diz.

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FESTA DO PIJAMA
Participantes da Campus Party dormem em cinco
mil barracas no Anhembi, em São Paulo

Lidar com a parte extratecnologia, o feijão com arroz, é justamente o que a Circuitar, startup de São Carlos (SP) fundada por Luís Chavier e Gustavo Furlan, pretende fazer em 2014. Fabricante de circuitos eletrônicos que permitem monitorar e controlar por computador equipamentos como fornos industriais e tanques de armazenamento, a empresa agora quer expandir o mercado. “Investir em divulgação, até para enfrentar a concorrência da China, é essencial”, diz Chavier.

O sonho dos jovens empreendedores é atingir e superar o sucesso de Gabriel Benarrós, amazonense de apenas 25 anos que estudou economia comportamental na prestigiada universidade americana de Stanford. Em 2012, após impressionar investidores brasileiros e estrangeiros, ele voltou ao Brasil com R$ 2,5 milhões no bolso para fundar a ingresse.com, que fornece uma plataforma online de venda de tíquetes para eventos de médio porte. “No ano passado, vendemos R$ 5 milhões em ingressos”, diz. Ponto para os nerds.

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Fotos: Kelsen Fernandes/Ag. Istoé