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O golpe de Kennedy

Gravações revelam que o presidente dos Estados Unidos cogitou uma intervenção militar no Brasil para derrubar o governo João Goulart

O golpe de Kennedy

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Meses antes do golpe militar de 1964, o Brasil esteve na mira de uma intervenção armada dos Estados Unidos. É isso o que mostram registros de conversas entre o ex-presidente americano John Kennedy, o seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e assessores. Num dos diálogos, em outubro de 1943 (46 dias antes de ser assassinado a tiros no Estado do Texas), Kennedy interrompe uma análise da conjuntura política brasileira feita pelo diplomata e o questiona sobre a possibilidade de Washington usar seu aparato militar para derrubar o governo democrático de João Goulart. “Você vê a situação indo para onde deveria? Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?”, questiona o presidente. A resposta de Lincoln Gordon é esclarecedora: “Essa é uma outra categoria, que eu chamo de ‘contingência perigosa possivelmente requerendo uma ação rápida’. Esse é o principal problema.”

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O presidente John Kennedy e o embaixador Lincoln Gordon:
eles temiam que o Brasil se tornasse "uma nova Cuba"

As gravações disponibilizadas ao público pelo jornalista Elio Gaspari no site recém-lançado “Arquivos da Ditadura” fazem parte do acervo da Biblioteca Kennedy e foram guardadas graças a uma decisão do ex-mandatário da Casa Branca de manter registros de diálogos para que fossem alvos de pesquisas futuras. Em outras conversas gravadas, o presidente John Kennedy e o embaixador Gordon revelam o que pensam sobre João Goulart. Para eles, Jango era um ditador populista com fortes inclinações esquerdistas. Nesse contexto, os Estados Unidos temiam que o Brasil se tornasse “uma nova Cuba” (palavras usadas pelo embaixador), colocando em risco os interesses da Casa Branca durante o ápice da Guerra Fria travada com a União Soviética. Como se sabe, a intervenção armada americana nunca saiu do papel. Em 1º de abril de 1964, forças militares nacionais depuseram o governo de João Goulart.

O movimento golpista contou com amplo apoio do sucessor de John Kennedy, Lyndon Johnson. Em uma operação conhecida como Brother Sam, uma frota com 11 navios americanos (confira quadro) foi enviada ao Brasil às vésperas do golpe militar. Antes de se aproximarem da costa brasileira, porém, as embarcações retornaram. João Goulart já havia sido deposto da presidência da República e o golpe militar estava consolidado. O regime de exceção se perpetuou por 21 anos e serviu de inspiração para uma sucessão de golpes em outras nações da América do Sul.

A história vira sucata

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Ícone máximo do apoio do governo dos Estados Unidos ao golpe de 1964, o porta-aviões da Marinha americana USS Forrestal vai virar sucata. Enviado pela Casa Branca ao Brasil como parte de uma frota de 11 embarcações que daria suporte e apoio ao golpe militar contra o presidente João Goulart, o USS Forrestal, que já foi um dos maiores do gênero no mundo, chegou a ser oferecido em 1993 às autoridades brasileiras para que se transformasse em fonte de estudos. Como o País recusou a oferta, o navio ficou esquecido todos esses anos. Agora, uma empresa americana vai desmontá-lo no Texas em troca do direito de vender componentes da embarcação reciclados e de um simbólico pagamento de US$ 0,01 realizado pelo governo americano.

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