Economia & Negócios

Longe das prestaçõesJ

J uros caem nas lojas, mas o consumidor ainda está ressabiado

A decantada redução dos juros ainda não chamou a atenção dos consumidores. A chacoalhada que o Banco Central promoveu ao liberar no dia 8 cerca de R$ 3 milhões do compulsório sobre contas correntes derrubou as taxas dos bancos de 5,58% para 5,46% mensais, conforme o Procon. Mas ainda é muito pouco para que influencie decisivamente no reaquecimento da economia. “O desemprego permanece grande, o que inibe o consumo”, afirma Cesário Coimbra Neto, presidente do Banco Cacique.

A rede de eletrodomésticos Ponto Frio, por exemplo, registrou um crescimento irrisório nos negócios, depois que reduziu de 6% para 3% a taxa para empréstimos. O Ponto Frio e as Casas Bahia inclusive se anteciparam às medidas do BC e reduziram por conta própria os encargos nos financiamentos. “Claro que uma medida dessas ajudará a médio prazo os negócios, mas eles devem crescer a partir de agora basicamente por causa da aproximação das festas de final de ano. Algo normal na sazonalidade do setor”, diz Albert Arar, diretor do Ponto Frio. O executivo aposta que o faturamento deste ano atingirá os mesmos R$ 1,93 bilhão de 1998. Abaixo dos R$ 2 bilhões de dois anos atrás.

Além da redução do compulsório, o que ajudou a reduzir as taxas de juros foi a queda da inadimplência. Quanto menos gente paga atrasado, mais espaço os bancos têm para reduzir os encargos financeiros e menor a tungada em quem precisa recorrer a financiamentos. As parcelas em atraso representaram 20,4% do total em agosto, uma redução sensível frente aos 23,5% de abril, segundo pesquisa do grupo Unidos. Nas Casas Bahia, a inadimplência caiu de 8% para 5%. “Isso permitiu baratear o crediário. A meta é criar uma cadeia sadia nos negócios. Se a empresa vende mais barato, fatura mais e os negócios crescem”, declara o publicitário Roberto Justus, porta-voz das Casas Bahia. Em setembro, a rede de lojas registra uma alta de 20% nos negócios sobre agosto. “Os juros mais baixos são responsáveis apenas por uma parte do crescimento”, ressalta Justus. Os banqueiros são unânimes em dizer que o aumento nas vendas, objetivo do governo ao buscar a redução das taxas de juros, ainda está só engatinhando. “No financiamento de automóveis, onde as taxas são de cerca de 2,5% e as prestações vão até 24 meses, o porcentual só cairá quando os investidores estiverem dispostos a aplicar em papéis de longo prazo. O que não acontece hoje”, declara João Amoedo, da Fin Áustria.

Os efeitos não foram maiores porque os juros continuam altíssimos, muito acima do 0,5% registrado nos Estados Unidos e na Europa. Na quinta-feira 16, o aposentado José Pereira saiu de casa decidido a comprar uma nova máquina de lavar roupas. “A minha quebrou de vez.” Ele foi a uma das lojas das Casas Bahia e comprou por oito prestações de R$ 117 o eletrodoméstico. Economizou R$ 115 em relação aos R$ 133,50 que teria de pagar há um mês. Mas isso não pesou em nada na sua decisão. “Eu tinha de comprar de qualquer maneira.” Segundo ele, o mais importante é parcelar para aliviar o orçamento da família. Com o que não concorda Roberto Justus, que diz que, se ainda estivesse casado com “Dri”, optaria por compras à vista.

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