Medicina & Bem-estar

Sinal de perigo para o coração

Estudo comprova eficácia de teste que revela a presença de depósitos de cálcio dentro das artérias. O exame já é apontado como um excelente indicador de chance de infarto para quem não tem os fatores de risco mais comuns

Sinal de perigo para o coração

DESCOBERTA Diana não tinha riscos conhecidos, mas infartou

Conhecer as chances de uma pessoa manifestar um problema cardiovascular é o primeiro passo do médico para indicar medidas preventivas. Se o paciente convive com um ou mais fatores de risco clássicos, como colesterol elevado, pressão alta ou diabetes, essa tarefa é mais fácil. O desafio é encontrar exames que ajudem a diferenciar quais indivíduos correm algum perigo entre aqueles que apresentam resultados de exames normais, porém possuem casos na família, daqueles que realmente não precisam se preocupar com o coração. O que fazer com essas pessoas? Medicar mesmo sem sintomas? Esperar para ver?

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INVESTIGAÇÃO
A professora Zélia sofreu um infarto cuja causa ainda não está
totalmente esclarecida. Já o médico Bittencourt acaba de publicar
pesquisa na qual comprova a eficácia de exame que detecta
o começo do acúmulo de placas que obstruem as artérias

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Para ajudar na resolução desse impasse, os cientistas investigam o potencial preditivo de alguns testes. A mais recente descoberta nesse campo foi feita por cientistas de diversas universidades americanas. Liderado pelo cardiologista brasileiro Márcio Bittencourt, pesquisador da Universidade Harvard, em Boston, o estudo, recém-publicado na edição online da revista do Colégio Americano de Cardiologia, mostrou que o uso da tomografia computadorizada para verificar a existência de vestígios de cálcio depositados no interior das artérias coronárias (exame chamado escore de cálcio) é uma alternativa confiável e segura para saber quem tem risco maior. “Uma artéria normal nunca tem cálcio. Portanto, sua presença é uma indicação de que o processo de aterosclerose, doença que leva à formação das placas que entopem as artérias, já está em andamento”, diz o médico.

A obstrução dos vasos pode levar ao infarto. Assim, se o teste apontar a presença do mineral, é preciso que o indivíduo passe a adotar uma rotina mais rígida de prevenção. Isso envolve a prática de exercícios e a adesão a uma dieta saudável e pode incluir o uso de remédios. No Brasil, o teste também ganha importância. “O escore de cálcio é um marcador consistente e promissor”, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo. “Se der positivo, a pessoa deve ser tratada mais agressivamente sempre”, completa.

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DESCOBERTA
Diana não tinha riscos conhecidos, mas infartou e depois soube
que apresentava alto nível de uma proteína associada ao problema

Outros recursos que buscam refinar a investigação do risco para doenças cardiovasculares começam a entrar na pauta da cardiologia. Um deles é o NMR Lipo Profile. O exame serve para analisar a composição das partículas do colesterol, entre elas a fração LDL, a pior para a saúde das artérias. “Seu nível pode até estar dentro dos limites, mas, se as suas partículas forem muito grandes ou centradas, ele configura um risco”, explica o médico Hélio Margarinos, diretor do laboratório Richet, do Rio de Janeiro. A empresa coleta amostras de sangue e as envia para os Estados Unidos, onde são examinadas. Como ainda é algo relativamente novo, os especialistas estudam seu uso em larga escala. “Estamos avaliando, no Instituto do Coração e na Universidade de São Paulo, sua aplicação na reclassificação do risco de pacientes”, diz Raul Santos. Em relação ao colesterol, um consenso é o de que mais importante do que manter o colesterol total ou o bom colesterol nas taxas desejadas é baixar muito a concentração do LDL.

Também já está disponível a Dosagem de Lipoproteína (a). O teste, chamado de LP(a), mede a quantidade de uma partícula rica em gorduras que infere muito pouco no colesterol, mas que em níveis elevados está relacionada à chance maior de problemas coronarianos. Em geral, é realizado em casos de entupimento das artérias ou infarto para os quais os médicos não encontram explicação. É o caso da artesã Diana Gauditano, 57 anos, por exemplo. Ela descobriu que tinha altas quantidades dessa proteína e mais uma mutação genética que predispõe à formação de trombos após ter um infarto enquanto fazia ginástica. “Foi uma surpresa. Nunca tive colesterol alto ou hipertensão. Minha família toda fez o exame e descobrimos que minhas duas irmãs também possuem níveis alterados”, conta Diana.

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A esperança é de que o aperfeiçoamento dos recursos de prevenção ajude a evitar casos como o da professora de enfermagem Zélia Nunes, 61 anos, de São Paulo. Sempre atenta à saúde, nunca teve problemas de colesterol ou de pressão arterial, mas acabou vítima de um infarto. “Meu caso ainda não foi totalmente explicado. Existe uma suspeita de que tenha sido causado por um problema relacionado às plaquetas no sangue, mas espero que um dia surjam exames capazes de elucidar essa situação”, diz Zélia.  

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