Medicina & Bem-estar

Plástica precoce

Cresce o número de crianças e adolescentes que se submetem a cirurgias por motivos estéticos

Num tempo em que a beleza é quase sinônimo de perfeição, nem as crianças querem estar de fora desses padrões. Seja para corrigir um narizinho mais largo, uma orelha pontuda ou uma mama mais pronunciada, elas estão entrando no bisturi. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, só no ano passado, no Brasil, foram realizadas cerca de 30 mil cirurgias plásticas em crianças e jovens de até 17 anos por motivos estéticos. Isso significa que 10% das pessoas que se submetem a cirurgias plásticas estéticas ainda não atingiram a maioridade, uma vez que o total anual dessas cirurgias gira em torno dos 300 mil. E a procura só aumenta. "Pela minha experiência em consultório posso afirmar que esses números crescem aproximadamente 20% ao ano", assegura o presidente da entidade, Farid Hakne.

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As cirurgias estéticas mais frequentes são para consertar orelha de abano, nariz e mamas, tanto em meninos como em meninas (há também as cirurgias para corrigir defeitos congênitos, como lábio leporino). Cada uma dessas operações deve ser feita de acordo com o estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra e pode custar de R$ 3 mil a R$ 8 mil. A rinoplastia, cirurgia de nariz, por exemplo, deve ser realizada quando os ossos da face param de crescer. "Entre sete e 14 anos aparecem as grandes mudanças ósseas faciais e o nariz pode, de repente, mudar de formato. Por isso, costumamos operar depois dessa fase", justifica o cirurgião plástico Luís Carlos Garcia. O conserto de uma orelha de abano, no entanto, pode ser realizado mais cedo. "Essas operações costumam ser feitas quando a criança ainda está em fase pré-escolar", explica Garcia. Nessa faixa etária, a orelha já parou de se desenvolver e adquire um formato que não mudará muito até o fim da vida. "Preferimos operar nessa faixa etária também para evitar problemas de socialização da criança. Mas a partir da cessão do desenvolvimento da orelha, a cirurgia pode ser feita em qualquer idade", completa o cirurgião plástico José Tariki. O estudante Paulo Santoro, 17 anos, por exemplo, só operou a orelha há cerca de um mês. "Quando era criança, o problema nunca me incomodou a ponto de buscar uma cirurgia. Resolvi operar agora por sugestão da minha irmã, que é médica", explica Santoro. No entanto, apesar de discreto, o problema chegou a ser motivo de chacota. "Meus amigos às vezes me chamavam de Dumbo só para me irritar", lembra o estudante.

Na verdade, muitas das crianças e adolescentes que procuram o bisturi para resolver pequenos incômodos estéticos querem não só alimentar a auto-estima como também se livrar das caçoadas alheias. Meninos com mama mais acentuada, por exemplo, frequentemente são vítimas de gozações e, por isso mesmo, fazem de tudo para não se parecer com o sexo oposto. É justamente aí que recorrem à ginecomastia, operação para redução das mamas em garotos e homens. Durante a puberdade, a glândula mamária masculina pode aumentar de tamanho por conta das alterações hormonais típicas dessa fase. Quando isso ocorre, os meninos desenvolvem peitos maiores que o normal e o recomendado é que se retire a glândula para evitar não só as chacotas, mas também problemas futuros como o desenvolvimento de tumores.

O que pode acontecer também é que o menino tenha mamas avantajadas por causa de acúmulo de gordura na região peitoral. "Para esses pacientes o que resolve é uma lipoaspiração" explica o cirurgião plástico paulista Juarez Avelar. O estudante gaúcho Gregory Bonatty, 15 anos, se submeteu à ginecomastia duas vezes. Na primeira, ele retirou a glândula e na segunda fez lipoaspiração para tirar um excesso de gordura. "Os meus amigos tiravam sarro da minha cara e as meninas não me davam muita bola. Fiz a cirurgia e melhorei a relação com todo mundo", orgulha-se o menino. Esse eterno dilema com o tamanho das mamas, aliás, inferniza grande parte das adolescentes. Grandes ou pequenos demais, os seios podem baixar a auto-estima a tal ponto que as garotas não queiram mais sair de casa. "Nesses casos, a mamoplastia traz benefícios inquestionáveis. A jovem torna a encontrar sua autoconfiança e volta a se interessar pelo convívio social", diz Tariki. Além disso, a cirurgia de redução de mamas é aconselhada quando os seios são tão grandes que começam a causar problemas de coluna.

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