Brasil

Um drible na pobreza

Prefeito aposta em parcerias milionárias para tirar do anonimato a primeira cidade do Brasil

Em 1532, Martin Afonso de Souza ancorou sua caravela no litoral de São Paulo. Encontrou uma tribo pacífica e em 22 de janeiro fundou a vila de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Quase cinco séculos depois, São Vicente é um dos municípios mais pobres de São Paulo. Sua arrecadação anual corresponde a R$ 200 por habitante, exatamente a metade da média dos municípios do Estado. A favela México 70 é uma das cinco maiores da América do Sul. Nela vivem 50 mil dos 300 mil habitantes da cidade. Os números negativos, porém, não impedem que o prefeito Márcio França (PSB) planeje investimentos de aproximadamente US$ 10 milhões na construção de monumentos, parques e até samba para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. "Não adianta adotar o discurso da pobreza. Esse é o momento oportuno para colocarmos São Vicente na agenda turística do Brasil", diz França. Os planos são audaciosos. Afinal, São Vicente não dispõe sequer de uma hotelaria razoável. França, porém, faz sua aposta contando com algo além da história que carrega sua cidade. Ele pretende erguer um monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

"Mais do que a obra, interessa a griffe do seu autor", afirma. O monumento deverá ser na praia dos Milionários, sobre pedras que emolduram a baía de São Vicente. Será um espaço com área para exposições e um restaurante sobre o mar. O custo é de US$ 2 milhões. Uma dinheirama que poderia melhorar bastante a qualidade de vida dos moradores da México 70. "Estamos finalizando os entendimentos com quatro grandes empresas que irão financiar a obra e depois explorar o espaço, não iremos tirar do orçamento, que é voltado para as obras sociais", promete o prefeito, sem revelar os nomes dessas empresas. Também com parcerias, o prefeito quer inaugurar três parques temáticos, com esculturas em areias e cinemas de 180 graus com terceira dimensão.

Foi com parcerias que o prefeito concretizou o primeiro passo para tirar a cidade do anonimato. Assinou um contrato com a escola de samba Beija Flor, do Rio de Janeiro, que apresentará no Carnaval carioca um samba-enredo contando a história de São Vicente. Além de levar o município paulista para todo o planeta a partir da Marques de Sapucaí, a Beija Flor fará em São Vicente o Réveillon do ano 2000, oito apresentações em janeiro e um desfile na terça-feira de Carnaval. A prefeitura terá de entregar à escola cerca de R$ 600 mil. "Seis empresas irão pagar a conta", garante.

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