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A terapia sobre o gelo

Médica que pode ter câncer tenta se tratar sem sair da Antártica

Um enredo típico das aventuras de cinema: mulher jovem e competente, presa num dos locais mais inóspitos e inacessíveis da Terra, descobre que tem uma doença mortal e se lança numa corrida contra o tempo para salvar sua própria vida. De sua habilidade e coragem, mais o fantástico auxílio do melhor da tecnologia moderna, dependem o sucesso da empreitada. Só que essa história é real e ganhou dramaticidade quando o escritório do programa polar da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos recebeu o comunicado de que uma de suas pesquisadoras havia encontrado um nódulo suspeito no próprio seio. As indicações são as do câncer de mama. O problema complicava-se ainda mais pelo fato de a pessoa estar trabalhando na estação de pesquisas de Amundsen-Scott, nos confins da Antártica. Em pleno inverno. Não há como tentar o resgate antes de outubro – nenhum avião jamais pousou na região em tais circunstâncias: as temperaturas podem chegar a 40 graus negativos e tempestades trazem ventos superfortes. Para piorar, a única médica do acampamento é a própria paciente.

A porta-voz da fundação, Mary Hanson, falando a ISTOÉ se recusou a dar o nome da médica-paciente, mas confirmou que ela tem 47 anos, trabalha na estação polar desde dezembro e faz parte de um time de 40 pessoas. Mas a fundação não conseguiu encobrir o fato de que uma biópsia foi feita já na quinta-feira 15. O exame foi realizado pela própria doutora, com o auxílio de paramédicos "O procedimento é induzir uma agulha no seio e colher material do tumor", disse o dr. Leonard Stone, oncologista ligado ao Mont Sinai Hospital, de Nova York. "Depois disso, será preciso microfatiar o material colhido e colocá-lo em reagentes para que possa haver uma análise através do microscópio eletrônico", disse o dr. Stone.

Aviões da Força Aérea americana lançaram de uma altitude de 300 metros duas toneladas de equipamentos próximo ao acampamento. Mas nem tudo sobreviveu à queda: um aparelho de ultra-sonografia quebrou-se com o impacto. "Foram vários os danos nos equipamentos, mas está confirmada a inutilização do ultra-som. Em todo caso, o laboratório de análise, inclusive o microscópio eletrônico e os computadores que vão permitir análise e diagnóstico a distância, estão salvos", disse a porta-voz da fundação. O material colhido na biópsia será mostrado – através de computador, via Internet e comunicação de satélite – aos patologistas que acompanham o caso no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York.

Caso o câncer seja confirmado existem algumas opções não cirúrgicas para o momento. "Normalmente, a cirurgia precede outros procedimentos, mas neste caso é possível se iniciar o tratamento com a quimioterapia", diz o dr. Stone. É por isso que todo o material necessário para esta terapia também foi lançado pela Força Aérea. De qualquer modo, a médica isolada quase no centro da calota polar antártica passa para os anais do pioneirismo humano em terras inóspitas. Sua coragem diante da adversidade, aliás, já recebeu os olhares cobiçosos de Hollywood: no final da semana passada se falava de produtores de filmes tentando comprar os direitos da história. O que prova que os corações da indústria do cinema podem ser mais gélidos do que a Antártica.

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