Cultura

Nossos ídolos viram musical

No embalo dos sucessos da Broadway, produtores apostam na história de artistas brasileiros como Cazuza, Elis Regina e Chico Buarque para conquistar o público

Nossos ídolos viram musical

ROCK 80

Com o mercado já estabelecido pela importação de musicais da Broadway, o Brasil quer provar agora que nossos cantores têm biografia e obra de apelo para manter o público, ou até multiplicá-lo. E para citar um dos artistas contemplados com um espetáculo, vai mostrar a sua cara. “Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”, que estreia na sexta-feira 4, no Rio de Janeiro, será seguido por uma agenda de produções sobre ídolos nacionais, como Elis Regina, Cássia Eller e Chico Buarque – o único artista vivo da leva de musicais recentes. O mais importante impulso para essa aposta forte nos talentos brasileiros foi dado por “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”, um estrondoso sucesso há dois anos. Antes dele, Renato Russo, Raul Seixas e Tom Jobim, para citar apenas alguns, passaram por palcos em performances que relembram as canções de sucesso e contam a história do mito. Cazuza vai além: sua trajetória é também pretexto para falar do rock dos anos 1980, quando o Barão Vermelho, grupo ao qual ele pertenceu, tomou de assalto as paradas. O diretor é João Fonseca, o mesmo de “Tim”, e o roteiro vem assinado por Aloísio de Abreu, que se baseou, em grande parte, no livro “Só as Mães São Felizes”, de Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza.

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Espetáculo sobre Cazuza (acima e representado
por Emílio Dantas, ao centro) vai mostrar sua sexualidade

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Uma das características do gênero é justamente essa: os protagonistas têm uma carreira invejável, já biografada em livro, o que permite abordagens variadas. “Elis, a musical”, que será montado no Rio em novembro com direção de Dennis Carvalho, vai tratar de sua morte com suavidade. A cantora morreu em 1982, aos 36 anos, após ingerir álcool e drogas. “Não vale a pena focar em certos detalhes”, disse Carvalho. Mas os casamentos conturbados e as dificuldades com outros artistas, que renderam à cantora o apelido de Pimentinha, não ficarão de fora. Tudo entremeado com 23 músicas de grandes compositores gravados por ela, como “Águas de Março” (Tom Jobim) e “Atrás da Porta” (Chico Buarque e Francis Hime). Para dar vida a Elis, 200 candidatas se ofereceram na acirrada seleção.

A escolhida foi a baiana Laila Garin, que nem é parecida fisicamente com a artista. “Não vou fazer uma imitação. O Dennis me deu a liberdade de transgredir um pouco. Quero tocar as pessoas através da interpretação”, afirma a atriz, que admite estar nervosa com a responsabilidade.

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PIMENTINHA
A conturbada vida amorosa de Elis Regina vai ser revivida por
Laila Garin, que pretende evitar uma imitação da cantora

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Superado esse desafio, não é difícil costurar a história dos ídolos com casos e registros importantes. “Tenho interesse em personalidades que flertaram com a marginalidade. Por isso, quis resgatar o Cazuza. Ele é um símbolo da minha geração”, explica Fonseca. O roqueiro viveu pouco – morreu em 1990, aos 32 anos, em consequência da Aids –, mas viveu intensamente, aspecto que será enfatizado pela interpretação de Emílio Dantas. A faceta mais polêmica do jovem poeta, como a sua homossexualidade e o seu gosto pelas noitadas, não será omitida. “Musical não ­precisa ser leve e superficial”, diz Fonseca. Resta saber se os herdeiros vão dar carta branca. Por exemplo: para montar um espetáculo sobre a cantora Cássia Eller, que morreu em 2001, aos 39 anos, devido a um infarto, segundo o laudo médico, e levou uma vida polêmica, o diretor Gustavo Nunes precisou negociar com os parentes. O musical deve estrear em maio do ano que vem, e uma seleção envolvendo atrizes do País inteiro está sendo preparada. “A família está muito feliz em realizar esse projeto, que será totalmente fiel ao estilo de vida, à história e às músicas dela. Será original e fiel a Cássia Eller”, resume Nunes, que não quis entrar nos detalhes da negociação.

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REVISTA
Com direção da dupla Möeller e Botelho, espetáculo sobre
Chico Buarque vai reunir suas músicas para filmes e peças

Correndo por fora, aparece “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”, nome quilométrico para a homenagem preparada pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho a um dos maiores nomes da MPB. Com estreia prevista para janeiro, não falará da vida do cantor e compositor; será algo semelhante a “Beatles num Céu de Diamante”, que faz sucesso há cinco anos e leva a assinatura dos mesmos experts do gênero. O repertório vai reunir apenas canções feitas para musicais ou filmes, como “Gota D’Água”, “Ópera do Malandro” e “Morte e Vida Severina”.“É um subgênero conhecido como “revue”, ou revista, em português. Não haverá um ator representando Chico”, explica Botelho.

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