Editorial

O presidente e a lama

O presidente e a lama

Todo ano é a mesma coisa. As chuvas de verão provocam desastres anunciados. As vítimas são as de sempre. E os culpados também. O fato novo desta vez é a inclusão, em grande estilo, das empresas concessionárias de vias públicas no rol dos vilões, principalmente a NovaDutra, responsável(?) pela mais importante rodovia do País. Pelo raciocínio de gente graúda do governo, a empresa poderia eximir-se de culpa, já que o edital não preveria a realização de obras para a contenção de barreiras. Ora, dentro dessa lógica maldita, as companhias de energia elétrica recentemente privatizadas poderiam condenar às trevas os rincões mais profundos, desde que não fossem obrigadas por lei. Pode até ser legal, mas é imoral. É disso que se está falando. A NovaDutra deveria ter a obrigação moral de zelar pela segurança do usuário. Ela informou que gastou R$ 25 milhões em 190 pontos da estrada exatamente para conter os deslizamentos. E que a natureza foi severa demais. Tudo bem, o Todo-poderoso pode ter-se esquecido de que é brasileiro, mas o que dizer do completo descaso para informar corretamente o que estava acontecendo? Justificar-se com as chuvas acima da média também é sinal de incompetência. Afinal, as obras são feitas justamente para combater as intempéries.

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Os milhares de pessoas que ficaram bloqueadas na estrada não precisariam passar por aquele inferno se houvesse uma diligência básica: os operadores de pedágio alertarem os usuários do perigo. Não satisfeita, a concessionária ainda cobrou a tarifa daqueles que desistiram da viagem, após quebrar as muretas de proteção. Esta cobrança, obviamente, também é legal. A verdade é que a NovaDutra estava totalmente despreparada para o que aconteceu. Como de resto, despreparado está o governo que legitimou a empresa e não se preocupou seriamente em saber se o usuário está sendo bem atendido. Despreparado e inepto. Tanto que cogita ressarcir a NovaDutra pelos meses em que o pedágio esteve congelado. Sobre as cerca de nove mil famílias que ficaram retidas nenhuma palavra.

Se saíram dos cofres públicos R$ 2 bilhões para evitar o bug, que era uma incógnita, por que o governo gastou a ninharia de R$ 16,3 milhões para se precaver contra as enchentes que são previstas até pelo sujeito que vende picolé na Esplanada dos Ministérios. Por que esse governo dá sempre a impressão de que age só depois que a casa cai? Agilidade mesmo, o presidente Fernando Henrique mostrou depois da tragédia. Saiu à frente de Itamar Franco e foi visitar as áreas mais atingidas. Não se pode afirmar com clareza se ele foi anfótero ou demagogo, mas sua popularidade deve ter subido um pouquinho. Na sua generosidade amazônica, apesar de o governo federal ter oferecido irrisórios R$ 7,5 milhões para ajudar os flagelados, os brasileiros devem ter-se consolado ao ver, finalmente, o presidente com o pé na lama.

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