Cultura

Ânimo carnavalesco

Braguinha se mantém ativo como o último dos bastiões da velha música popular brasileira

A alegria está no sangue e não nega o passado musical do carioca Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, autodenominado João de Barro, que legou clássicos carnavalescos como Touradas de Madrid, Pirata da perna de pau ou Chiquita bacana, as três em parceria com Alberto Ribeiro. Aos 92 anos, Braguinha ainda gosta do Carnaval que o consagrou e o compara ao atual cantando um verso de uma de suas marchas-rancho Saudosismo: “Hoje o Carnaval está mudado e o palhaço vai ao baile de blue jeans/o arlequim não muda de bermuda e Maria Antonieta nua é o fim/ (…) O que teria mudado, meu Carnaval ou eu?” Embora ande com dificuldade, Braguinha está 100% lúcido, com uma memória que se afia ainda mais quando se trata de suas composições. Se começa a cantá-las, com os erres puxados de antigamente, não pára mais, sempre exibindo um olhar vivo, quase infantil. Seu contemporâneo Mário Lago, do alto de seus 88 anos, não titubeia nos elogios. “É o nosso guru.” Vindos de amigos e admi-radores, os adjetivos favoráveis, aliás, não são suficientes para qualificar Braguinha, verdadeira máquina de criação, autor de mais de 500 canções – pelo menos cinco permanecem inéditas –, que continua na ativa carregando o pesado título de último dos bastiões da velha música popular brasileira.

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Seu falecido pai, Jerônimo José, dono de indústria de tecelagem, sonhava para o filho a profissão de arquiteto. Achava que samba era assunto de malandro. Mas acabou reconhecendo seu talento musical. Em Vestidinho encarnado, por exemplo, primeira composição gravada em 1931, já demonstrava a verve de cronista dos costumes provada em outras canções como Garota biquíni e Garota monoquíni. “Sempre gostei das modas das meninas, mas não posso ser sincero demais porque sou casado”, brinca. Astréa Rabelo Cantolino Braga, sua mulher há 61 anos, lhe deu a filha Maria Cecília. Tem três netos e seis bisnetos. O casal troca carinhos e elogios e, segundo a filha, a mãe nunca sofreu grandes crises de ciúmes, embora fossem apenas namorados no auge da boêmia, quando Braguinha alinhavava parcerias com Noel Rosa. Vem desta fase um de seus maiores sucessos, Pastorinhas, versão modificada de Linda pequena, feita com Noel. “Andávamos juntos e fomos muito amigos. Era um sujeito bem engraçado”, lembra-se.

Bossa nova – Um outro clássico, Copacabana, sucesso de 1946 na voz de Dick Farney, tem um estilo diferente dentro da sua produção. Há quem a considere precursora da bossa nova. Quando mostrou ao flautista Benedito Lacerda, ouviu o comentário: “É bonitinha, mas não é samba.” Acabou se tornando uma canção antológica, que enalteceu o bairro com a definição de Princesinha do mar. Outra música que marcou época, registrando mais de 200 gravações, é Carinhoso com melodia de Pixinguinha. Datava de 1917, mas o jovem Pixinguinha, então com 20 anos, temia mostrá-la por ser um choro com duas partes, o que não era admitido pelos músicos de então. Braguinha escreveu a letra em 1936 com o mesmo alto-astral de sempre. Para demonstrar a atitude, há uma frase que ele gosta de repetir e sintetiza sua filosofia: “A vida só gosta de quem gosta dela.” Tanto é assim que, mesmo depois da diverticulite sofrida no ano passado, que o obrigou a tomar seis transfusões de sangue, ele continua firme, querendo ainda animar muitos outros carnavais.

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