Brasil

Longevidade do brasileiro aumenta 9,2 anos desde 1991

Estudo mostra que educação é o item que menos contribuiu para o avanço do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do Brasil

Longevidade do brasileiro aumenta 9,2 anos desde 1991

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Entre 1991 e 2010 o Brasil registrou um salto de 47,8% no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), fato que contribuiu para a diminuição de disparidades entre cidades do sul e do norte do País, apontou estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), em Brasília. 

Segundo o estudo, o Brasil conseguiu reduzir as desigualdades, principalmente, pelo crescimento acentuado dos municípios menos desenvolvidos das regiões Norte e Nordeste. Apesar disso, as 10 cidades com maior IDHM encontram-se na região Centro-Sul. As com o menor estão no Norte (8) e Nordeste (2).
Apesar do avanço no índice, o País ainda sofre com desigualdades entre as cidades com maior e menor renda. 
 
Em uma comparação entre os municípios de maior e menor renda per capta mensal do País, a diferença permanece grande. Enquanto em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo – a cidade com melhor IDHM -, um cidadão médio vivia com renda média de R$ 2.043,74 em 2010, em Marajá do Sena (MA), uma pessoa vivia com R$ 96,25, valor 20 vezes menor.
 
Embora as disparidades permaneçam grandes, o IDHM do Brasil passou de 0,493 (muito baixo desenvolvimento humano) para 0,727 (alto desenvolvimento humano). 
 
"A fotografia do Brasil era muito desigual. Houve uma redução, no entanto, o Brasil tem uma desigualdade amazônica, gigantesca, que está caindo. O Brasil era um dos países mais desiguais do mundo, continua sendo, mas houve uma melhora. Podemos antecipar um futuro melhor", frisou o presidente do Ipea e ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri.
 
Longevidade é o fator que mais contribuiu para melhora
 
De acordo com o estudo divulgado hoje, o IDHM Longevidade (0,816) é o que mais contribuiu em termos absolutos para o nível atual do IDHM do Brasil. Este item também é o componente que apresenta o menor hiato – a distância até 1 – em 2010 (0,184). 
 
Segundo o estudo, de 1991 a 2010 houve um aumento na longevidade do brasileiro de 9,2 anos.
 
Os municípios catarinenses de Blumenau, Brusque, Balneário Camboriú e Rio do Sul registraram o maio IDHM Longevidade, com 0,894, e expectativa de vida de 78,6 anos. As cidades de Cacimbas (PB) e Roteiro (AL) tiveram o menor índice (0,672) e expectativa de 65,3 anos.
 
"A melhoria da expectativa de vida é muito significativa. Um brasileiro que nasce hoje tem expectativa de vida nove anos maior o que era há 20 anos, principalmente por uma queda na mortalidade infantil", explicou o representante PNUD no Brasil Jorge Chediek.
 
No IDHM Renda, o crescimento no período foi de 14,2%, o equivalente a cerca de R$ 346 de aumento na renda per capta mensal, com números ajustados para valores de agosto de 2010. 
 
Apesar do avanço, apenas 11,1% dos municípios avaliados possuem um IDHM Renda superior ao IDHM Renda do Brasil. 
 
Educação é o que menos contribui para avanço do País
 
O IDHM Educação (0,637) é o que tem a menor contribuição em termos absolutos para o valor atual do IDHM do Brasil e também o que possui o maior hiato (0,363). 
 
De 1991 a 2010, o indicador foi o que registrou o maior crescimento absoluto (0,358) e a maior elevação em termos relativos (129%), crescendo de 0,278, em 1991, para 0,637, em 2010, um movimento puxado, principalmente, pelo aumento de 156% no fluxo escolar da população jovem no período. 
 
Na mesma comparação, a escolaridade da população adulta aumentou 82,4% na comparação com 1991 (alta de 82,4%).