Edição nº2599 18/10 Ver edições anteriores

Eles vão voltar, acha o Planalto

O Planalto acredita que a relativíssima calmaria das ruas, nos últimos dias, não engana quem tiver um bom termômetro para avaliar a temperatura dos movimentos sociais

Eles vão voltar, acha o Planalto

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O Planalto acredita que a relativíssima calmaria das ruas, nos últimos dias, não engana quem tiver um bom termômetro para avaliar a temperatura dos movimentos sociais. Levando em conta férias escolares, a ressaca da vitória na Copa das Confederações e outros fatores, o governo analisa que vários elementos irão contribuir para novos protestos, nas próximas semanas, a começar por um dado decisivo: nenhuma reivindicação assumida pela população foi derrotada. Fosse a redução de passagens, o fim de votações sigilosas no Congresso e diversos pacotes de bondade, tudo foi aprovado nos últimos dias – o que produz um óbvio efeito estimulante.

Voz perto da rua
Coube ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, lembrar uma contradição que ­envolve o governo, durante a última reunião ministerial. Enquanto a equipe econômica mostra, com números corretos, a previsão de queda de inflação, Carvalho lembrou que, no caixa do supermercado, o cidadão comum continua tendo a impressão de que a conta fica cada vez mais alta.

Novo ritmo no mensalão MG?
A juíza Neide da Silva Martins dá sinais de que decidiu agilizar os trabalhos no julgamento do mensalão mineiro, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Como ISTOÉ revelou, a pena de vários réus poderia prescrever graças ao ritmo lento do processo. 

Lealdade em risco
Se o Planalto conseguiu convencer o Congresso a congelar propostas de alta nos gastos, como o projeto que destina 10% do PIB para a Educação, o ambiente de Brasília está tornando os parlamentares cada vez mais indóceis. Mais fácil deixar para Dilma o desgaste de vetar.

Charge

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TCU a passo lento
Na semana passada, o Tribunal de Contas da União concluiu a análise das contas do Ministério dos Transportes de 2009. Apesar das irregularidades encontradas, nada poderá ser feito. Ocorreram duas mudanças de ministros desde então, o que dificulta toda investigação.

Direto ao ponto
Seguindo um exemplo cada vez mais comum, a Associação do Ministério Público Federal do Distrito Federal está à procura de um consultor para assuntos legislativos para monitorar a agenda do Congresso e manter os procuradores informados das movimentações dos parlamentares. 

Lula segue distante
De volta do circuito africano-europeu, Luiz Inácio Lula da Silva terá a chance de apagar uma impressão que nasceu no Planalto depois que os protestos de rua ganharam um volume alto demais. Considera-se que o ex-presidente continua longe demais da sucessora, situação que engrossa o coro “Volta, Lula.”

Marcha a ré
O desembaraço de Aloizio Mercadante para dar entrevistas nas últimas semanas causou tanto ­ciúme no Planalto que ele decidiu recolher-se a ­conversas internas do governo. “Só falo da minha área”, repete.

Jurisprudência Donadon
Aprovada no calor dos protestos, a prisão do deputado Natan Donadon, o primeiro parlamentar a ir para a cadeia por corrupção desde a democratização, criou um precedente no STF. O tribunal expediu mandato de prisão do parlamentar depois que seus primeiros embargos declaratórios e infringentes foram julgados e recusados. Considerou que os segundos embargos poderiam caracterizar pura manobra protelatória e expediu os mandados de prisão. Se a regra funcionar no mensalão, as prisões podem ocorrer no início de 2014. Entre a condenação e a prisão, contudo, Donadon teve direito a três anos de liberdade, quase o triplo do período reservado aos condenados pela ação penal 470.

Quem paga a conta
A oposição procura votos para estragar a alegria do presidente do Senado, Renan Calheiros, com um golpe de contabilidade. É que o senador lançou o projeto do Passe Livre, mas não definiu de onde sairiam os recursos para pagar a conta.

Rápidas
* Preso por corrupção em 2010, o ex-governador Pedro Paulo Dias lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo no Amapá depois de passar nove dias na cadeia. Em segundo, Randolfe Rodrigues (PSOL). Em terceiro, Camilo Capiberibe, atual governador.

* As balas de borracha prejudicaram as reivindicações salariais da Polícia Militar no Congresso. Após a violência contra os protestos, a bancada a favor da PEC 300, que criava um piso nacional para a categoria, murchou.

* Cada vez mais carregada, a agenda comercial entre Brasil e Argentina ficará imóvel até sexta-feira 12, quando Dilma Rousseff e Cristina Kirschner se encontram.

* O deputado federal Chico Alencar (PSol-RJ) fez as contas. As medidas provisórias editadas no governo de Dilma Rousseff somam desonerações de R$ 15 bilhões por ano para os setores produtivos.

Retrato falado

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“Lindberg vai ganhar as eleições com o Pezão nas costas”

Bem-humorada, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) anda inventando lista de piadas para provocar o colega Lindbergh Farias (PT-RJ) nas comissões do Senado. Fazendo brincadeira com o nome do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, Kátia arrancou gargalhadas de Lindbergh com um trocadilho infame.

Toma lá dá cá

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Autor de requerimento para que a Câmara de Deputados comprasse um avião próprio, o deputado Ernandes Amorim (PTB-RO) comentou os passeios aéreos de Renan ­Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) em aviões da FAB:

ISTOÉ – Por que a Câmara e o Senado deveriam ter seu avião oficial?
Ernandes Amorim –
Com uma aeronave, os ­parlamentares poderiam chegar a locais não atingidos pela aviação comercial.

ISTOÉ – Não é uma regalia?
Amorim –
Não, são várias viagens que os parlamentares fazem pelas comissões, para diligências de CPIs. É para usar com consciência, não é para ficar passeando. 

ISTOÉ
– Por que não usar voos comerciais?
Amorim –
O problema é que a maioria seria vaiada. Até a Dilma foi vaiada na Copa. Poucos, como Pedro Simon, andam de avião comercial
e ninguém reclama.

A infiltrada

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Durante um protesto em Piranhas, em Alagoas, a população reconheceu a ex-prefeita ­Melina Torres, exibindo um cartaz “juntos por um Brasil melhor”. Acusada de desvio de recursos públicos, mas em ­liberdade graças a um salvo-conduto, Melina foi hostilizada pelos manifestantes.

Dieta na Chesf
A Companhia Hidrelétrica do São Francisco lançou um programa de demissão voluntária para enxugar a folha de pagamento. A ideia é substituir funcionários antigos por recém-formados. A explicação da empresa é que a MP 579, que reduziu a conta de luz dos brasileiros, também reduziu as receitas das concessionárias. A estimativa é de que mais de 400 engenheiros e técnicos experientes deixem o órgão.

por Paulo Moreira Leite
Fotos: Rogério Cassimiro; Adriano Machado; Daniela Lima/Esp. CB/D.A Press


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