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PEC 37 volta em nova fase

Convencidos de que o calor dos protestos que levaram à derrubada da PEC 37 por 430 votos a 9 sem a abertura para debates não irá durar para sempre

PEC 37 volta em nova fase

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Convencidos de que o calor dos protestos que levaram à derrubada da PEC 37 por 430 votos a 9 sem a abertura para debates não irá durar para sempre, parlamentares, delegados e procuradores que negociavam uma versão mais equilibrada do texto pretendem voltar à carga sob outra temperatura política. Surpreendidos por uma votação resolvida na última hora como um prêmio aos manifestantes que rondavam o Congresso, eles acreditam que em outro ambiente será possível fazer um debate mais equilibrado e definir as atribuições de delegados e do Ministério Público num regulamento baseado na lei comum, que dispensa emendas constitucionais.

CNBB na reforma
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil tem posição firmada sobre a reforma política. Só aceita financiamento público exclusivo. Outras entidades, que rejeitam contribuições de empresas, aceitam que o cidadão comum faça doações de até um salário mínimo.

Traço pessoal
Num comportamento que trai uma vocação perfeccionista, Dilma Rousseff não costuma assistir a seus pronunciamentos na tevê. Prefere telefonar para assessores e pedir a opinião.

Ninguém viu
A ideia de criar cotas de 30% para candidaturas femininas reapareceu no debate sobre a reforma eleitoral. É engraçado, já que as cotas para mulheres são exigência legal desde 2010. Com mais vagas do que candidatas, muitos partidos registram concorrentes sem carisma nem voto.

Nova dor de cabeça
Como se o Planalto tivesse poucos problemas no momento, um ministro do TCU – nomeado por Lula, aliado de Eduardo Campos – anda dizendo que encontrou problemas nas contas de 2012 do governo Dilma.

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Boas maneiras
Descobriu-se que a palavra “autismo” não pode ser empregada de forma depreciativa na Câmara dos Deputados. Durante uma preleção em que fazia críticas ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) disse que ele estava “sofrendo de autismo”. Acabou repreendido pelos colegas.

Mudar o serviço
O desencanto do Planalto com o desempenho recente da Abin tem expressão sonora. Há duas semanas não se fala da sigla no gabinete presidencial. Interlocutores de Dilma acham que, apesar da lembrança dos tempos da ditadura, a presidenta deveria buscar apoio no serviço secreto do Exército.

Serra no caminho
Convencido de que não tem chances no PSDB, mas certo de que não é hora de desistir dos planos presidenciais, José Serra já fez chegar ao Planalto a notícia de que deve sair candidato a presidente pelo MD de seu amigo Roberto Freire.

Voos menos transparentes
Depois que se divulgou que havia usado passagens da corte durante período de licença médica, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, mandou retirar do portal da transparência da instituição as informações relativas aos gastos individuais dos magistrados com bilhetes aéreos. A prestação de contas individual e detalhada foi substituída pela informação global. Informa-se que o Supremo assinou um contrato de R$ 900 mil com uma empresa para reservas e emissão das passagens. No ano passado, o Supremo gastou R$ 775 mil em bilhetes de viagens nacionais e internacionais.

Busca de apoio
Em tempos turbulentos, poucos ministros se sentem seguros nos cargos e buscam apoio no Congresso. O da Pesca, Marcelo Crivella, recebe pelo menos quatro deputados por dia. Já o do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, não perde a chance de mostrar boa vontade. Na semana passada, num encontro com parlamentares nordestinos, recebeu tantos pedidos que faltou papel para as anotações.

Toma lá dá cá

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Marcelo Branco – em 2010, coordenou a campanha de Dilma na internet

ISTOÉ – O governo perdeu a batalha na internet?
Marcelo Branco – Ele a subestimou. Depois de 2010, quando enfrentou até o aborto, o PT desativou seu arranjo de comunicação nas redes.

ISTOÉ – A oposição dominou a pauta?
Branco – Grupos já conhecidos, que atuaram em 2010, ressurgiram, como o Gigante Acordou e Muda Brasil. O Anonymous denunciou grupos que usavam seu nome para pedir a queda da presidenta.

ISTOÉ – O que falhou?
Branco – O governo se surpreendeu com as manifestações porque estava distante das redes sociais. A pauta dos transportes estava na rede duas semanas antes do primeiro conflito em São Paulo e o governo respondia discursando, numa lógica de assessoria de imprensa.

Rápidas
* Estranho sinal dos tempos: convocado para uma reunião com Dilma Rousseff para discutir a crise no Planalto, o senador Wellington Dias, líder do PT, preferiu prestigiar a própria mulher, Rejane, homenageada em Picus, no interior do Piauí, seu Estado natal.

* Presente nos conflitos com militantes conservadores em São Paulo, boa parte jovens esportistas de classe média, um veterano sindicalista cunhou uma frase inesquecível: “Foi a primeira vez que apanhei de raquete de tênis.”

* Depois de desonerar as compras de banda larga das empresas de telefonia, Dilma Rousseff ficou intrigada ao descobrir que elas ganharam duas vezes. Receberam, da Anatel, um reajuste de tarifas de telefonia móvel e fixa.

* Lineu Pupo assume a embaixada na Guiana com a missão de tirar do papel uma hidrelétrica a ser construída a quatro mãos com o país caribenho. Anunciada em 2009, deveria ficar pronta em 2015.

Retrato falado

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“Tenho certeza que no momento em que ele se vir acuado ele vai sacar a arma e não duvido que possa atirar”

As balas de borracha deixaram manifestantes indignados com ferimentos sofridos durante os protestos, mas são defendidas como mal menor pelos policiais encarregados de reprimir as mobilizações. Para a comandante do Batalhão de Choque do Distrito Federal, Cynthiane Santos, nas condições atuais do policiamento de atos públicos no País, os soldados possuem duas alternativas: ou usar a bala de borracha ou mandar chumbo contra os manifestantes.

O retorno do Paraguai

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O governo brasileiro conta os dias para a posse de Horácio Cartes, o novo presidente do Paraguai. As negociações para o retorno daquele país ao Mercosul se encontram em estágio avançado. Os paraguaios, inclusive, aceitam a entrada da Venezuela. Após o retorno do Paraguai, o Brasil planeja avançar nas tratativas para o ingresso do Equador.

O custo dos presos
Durante reunião com representantes dos movimentos sociais na semana passada, Dilma Rousseff foi questionada sobre o auxílio carcerário, recurso pago a familiares de presos. A rubrica consome R$ 434 milhões por ano.

Fotos: Eraldo Peres/AP/Glow Images; Roberto Castro/Ag. Istoé; Norberto Duarte/AFP PHOTO


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