Economia & Negócios

A volta por cima

Reabilitado pelo STF, Mário Garnero planeja erguer em São Paulo o prédio mais alto do mundo. Valor: US$ 1,6 bilhão

No fim dos anos 50, o jovem estudante de Direito Mário Garnero pediu um empréstimo bancário para construção de meia dúzia de sobrados numa região que se transformaria na coqueluche imobiliária 40 anos depois: o bairro de Vila Olímpia, em São Paulo. Era o primeiro negócio de sua vida. Na semana passada, o empresário sonhou muito mais alto e exibiu um dos mais impressionantes projetos imobiliários do mundo. A construção de um arranha-céu no centro de São Paulo, com 103 andares e 494 metros de altura. Se um projeto de um superprédio em Taiwan não vingar, o São Paulo Tower poderá constituir-se no maior prédio do mundo. Atualmente, as torres gêmeas Petronas, localizadas em Kuala Lumpur, na Malásia, carregam esse título com 452 metros de altura. "No mundo globalizado, a idéia é fazer uma marca para São Paulo", conta o empresário. Com o empreendimento, Garnero está disposto a revigorar o velho centro de São Paulo, onde a terceira maior cidade do mundo nasceu. Há sete áreas em estudo para a implantação do prédio. Além de revalorizar uma zona em completa deterioração urbanística, ele quer fazer do arranha-céu paulistano um expoente do processo de inserção do Brasil na economia mundial. No século XX, os principais centros econômicos levantaram prédios que riscavam as nuvens. O Empire State e o World Trade Center (WTC), em Nova York, são casos exemplares. Não por acaso, o lançamento da pedra fundamental será no primeiro segundo do ano 2000 por sugestão do governador paulista Mário Covas. Com milhares de escritórios, apartamentos e centros comerciais, o espigão brasileiro terá um custo estimado em US$ 1,65 bilhão. Sua construção está prevista para o final do ano 2000, com expectativa de inauguração cinco anos depois.

A construção do prédio segue-se a uma recente vitória de Garnero na Justiça. Por nove votos a zero, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam o processo que acusava o empresário de supostas operações fraudulentas em 1985. Naquela ocasião, o então chefe da Receita Federal, Francisco Dornelles, aproveitava a oportunidade, no primeiro dia útil da Nova República, para pôr o empresário sob suspeita. Nada ficou comprovado, embora o episódio brecasse uma trajetória de sucesso. Depois de diretor da Volkswagen e presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Garnero havia se tornado uma estrela do mundo empresarial com a fundação do grupo Brasilinvest, uma agência privada de investimentos. Seu brilho incomodou muita gente. Mas isso faz parte de um passado que Garnero evita comentar. Prefere falar de grandes negócios.

 

Empreendedor No mesmo dia em que anunciou o superprojeto, Garnero anunciou outros dois empreendimentos, que somam US$ 450 milhões, na região de Campinas. Por manter uma rede de ligações internacionais, que incluem o ex-presidente americano George Bush e o príncipe Rainier, de Mônaco, o empresário brasileiro não teve dificuldades para captar o apoio do Maharishi Global Development Fund (MGDF), um fundo imobiliário internacional inspirado no criador da filosofia de meditação transcendental Maharishi Mahesh Yogi. "Estamos abertos para consultas de modo a aprimorar o projeto", diz o empresário, que já fez contatos com alguns arquitetos. O projeto original foi elaborado pelo escritório Minoru Yamasaki, o mesmo que desenhou o WTC de Nova York, sob a concepção do MGDF. Garnero ainda representa no Brasil empresas tão variadas como a Pennzoil, uma companhia petrolífera americana, e o grupo francês Vivendi, que atua na área de infra-estrutura. Aos 61 anos, sempre exibindo um bom humor, o empresário mantém estreita ligação com o setor imobiliário. A inauguração das duas torres do Brasilinvest em 1980, onde fica a sede do grupo, detonou o boom imobiliário da região da Faria Lima, em São Paulo. Possui ainda outros empreendimentos em Miami, nos Estados Unidos. A construção do arranha-céu não se trata apenas de uma simples volta por cima, mas também de um retumbante avanço de Mário Garnero na área imobiliária. Desta vez, a quase 500 metros de altura.


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