Brasil

Ameaça política

Testemunha diz quem queria matar Vicentinho

Razões políticas podem ter sido o pano de fundo do malogrado plano de sequestro seguido de assassinato do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. Desde que o esquema veio à tona, no início de março, a polícia conseguiu identificar toda a quadrilha contratada para fazer o serviço e colocar quatro de seus sete integrantes atrás das grades. E, conforme o depoimento de uma testemunha, o sequestro do sindicalista foi encomendado por um conhecido político de São Paulo cujo nome vem sendo mantido em sigilo.

Sequestrada pelo bando, a testemunha ouviu, enquanto estava no cativeiro, conversa ao telefone em que o líder do grupo, Marco Nunes Pessoa, o Lobão, negociava a operação completa por US$ 80 mil. Figurinhas carimbadas no submundo do tráfico de drogas em São Paulo, Lobão e sua turma já eram procurados pela polícia e têm extensa ficha corrida onde consta, inclusive, envolvimento em assassinatos de policiais militares a sangue frio.

Chefão do comércio de armas e drogas em uma das mais violentas favelas da periferia paulistana, a do Icaraí, Lobão, um jovem rechonchudo de apenas 22 anos, ainda continua à solta apesar de caçado pela polícia, assim como seus parceiros Eliezo Silva dos Santos, o "Cabelo", e outro conhecido apenas como "Baixinho". Entre os quatro já presos, estão a mulher de Lobão, Andréia de Sá Pessoa, e sua sogra, Valdelice Jesus de Oliveira Cícero.

Franco candidato à Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Vicentinho mostra-se surpreso com a possibilidade de uma rivalidade política ter colocado sua vida em risco. "Não vejo razão para isso. Sou uma pessoa pacífica, nunca briguei com ninguém. Não sei de onde a ameaça poderia vir", disse a ISTOÉ. Desde que tomou conhecimento de que planejavam sequestrá-lo, sua vida mudou muito. Mudou de endereço, telefone e passou a andar escoltado por seguranças. Na madrugada da quinta-feira 6, numa manifestação em defesa dos empregos de metalúrgicos da Volkswagen, na porta da fábrica onde já esteve em situações semelhantes tantas outras vezes, o sindicalista ostentava seu esquema de proteção numa atividade antes trivial. Remetidas ao Ministério Público na quinta-feira 29 de abril, as conclusões do inquérito policial podem gerar um processo penal que terá o poder de encarcerar, em definitivo, alguns dos bandidos mais perigosos de São Paulo.