Cultura

No embalo do MP3

O novo padrão de gravação de música via computador começou como pirataria, mas deve ser absorvido pela indústria fonográfica e fomentar ainda mais as vendas

Quem imaginaria que um dia todos os álbuns dos Beatles coubessem num único disco que ainda por cima seria vendido, em esquema de pirataria, pelo equivalente a R$ 10, um terço do preço de um CD normal? Pois este dia já chegou, para desespero das gravadoras. Trata-se de um recente padrão tecnológico, chamado MP3, que se anuncia como a nova mania do início de milênio ao trombetear um padrão de gravação diferente das já tradicionais bolachinhas prateadas. Para quem não sabe, MP3 não é um CD comum e sim um arquivo. Atrás do símbolo escondem-se estudos desenvolvidos a partir de 1992 pelo Moving Pictures Experts Group, consórcio que estabelece normas de compressão de arquivos de vídeo e áudio. É assim que o MPEG 1 Audio Layer 3, ou simplesmente MP3, se mostra capaz de comprimir 12 vezes as informações de um CD, sem perder a qualidade, deixando longe o WAV, o antigo padrão para se fazer download. Deste arquivo instalado no computador podem-se copiar as músicas num CD virgem, conhecido como CD-R, através de um gravador batizado de “queimador de CD”, que está à venda no mercado. Mas já existe o MP3 player que, acoplado a um fone de ouvido ou caixas acústicas, possibilita tocar as músicas direto do arquivo.

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Rádio pirata – Para o leigo, parece ficção científica. Mas todo artista que se preze – dos Rolling Stones aos grupos de rap com mais componentes do que fãs – já incorporou a sigla MP3 ao seu vocabulário e, não raro, à produção de seus trabalhos. Atualmente, tanto os programas decodificadores de MP3 – que tornam os arquivos audíveis – quanto os programas codificadores – que transformam a música dos CDs em arquivos – já são oferecidos gratuitamente na Internet. Também começaram a pipocar na rede estações de rádio digitais como a RealAudio, WindowsMedia e Shoutcast, que transmitem em streaming MP3, ou seja, arquivos de música ouvidos em tempo real, que não podem ser gravados. Música grátis para todos! Não poderia haver pior pesadelo para a indústria do disco.

Só que os gigantes fonográficos já estão se movimentando contra esta hidra de infinitas cabeças que o MP3 ajudou a criar. Eles contrataram legiões de hackers – internautas com sofisticados conhecimentos de computador – para esquadrinhar a rede à procura de sites que oferecessem música pirateada. Paralelamente, as gravadoras americanas reunidas em torno da poderosa Recording Industry Association of America (RIAA) começaram a quebrar a cabeça à procura de um padrão “confiável” de MP3, incluindo a colocação de uma espécie de “marca d’água” eletrônica nos CDs. Também pensaram em algum sinal semelhante à televisão a cabo ou então em CDs que dependessem de “chaves” para serem tocados. Tal confusão e morosidade impediram que a febre dos novos aparelhos comparáveis a um walkman ou CD player, muitas vezes menores, suplantasse neste Natal a invasão dos produtos relacionados ao desenho animado Pokémon. As dezenas de fabricantes, lideradas pelo sucesso das marcas Rio, da Diamond Multimedia, e Winamp, da Nullsoft, preferiram aguardar a definição de um padrão, antes de investir pesado.

Quem ganha? – Prudentes, os sites “oficiais” como o MP3.com, o A2B Music, ou o N2K não lidam com música pirateada. Dependendo do caso cobram pouco menos de US$ 1 por música, que é repassado ao artista. Teoricamente, o MP3 beneficiaria os cantores e grupos sem acesso às gravadoras grandes, já que eles poderiam ser ouvidos por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Grandes nomes também lucrariam, pois os down-loads gratuitos aumentariam as vendagens de seus CDs e de ingressos para seus shows. O problema é que a prática ainda não rende dinheiro. David Bowie, um dos primeiros a mergulhar de cabeça nessa tecnologia, declarou recentemente que a música ele daria de graça. “Mas para sobreviver o que é que faço, vou vender camisetas, arrumo um emprego?”

Por enquanto, as pequenas bandas têm de se conformar com a execução mundial gratuita de suas canções. Os sites organizados em torno do MP3, no entanto, estão sendo vistos pelo mercado financeiro como um investimento de ponta. Por trás do A2B, por exemplo, encontra-se o poderoso grupo de comunicação AT&T, e do N2K o grupo Dolby Digital. Recentemente, o site pioneiro MP3.com recebeu uma injeção de US$ 45 milhões da Cox Interactive Media. Até o American on Line, o maior provedor do mundo, entrou na corrida comprando a Nullsoft. Como se vê, o MP3 se mostra como o caminho mais radical na transformação da indústria da música. Os poderosos que já investem no setor têm pleno conhecimento e estão armados até os dentes para ganhar a batalha.

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