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O fator natureza em 2014

As piores notícias que têm chegado ao Planalto foram geradas pelos serviços de meteorologia. Se em 2012 o País enfrentou a pior seca em 50 anos

O fator natureza em 2014

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As piores notícias que têm chegado ao Planalto foram geradas pelos serviços de meteorologia. Se em 2012 o País enfrentou a pior seca em 50 anos, a estiagem de 2013 segue na mesma escala. Num País que, com o Bolsa Família, já não enfrenta o fantasma desenhado por Graciliano Ramos e seus personagens em “Vidas Secas”, que desfilavam vultos esqueléticos e ameaçadores pelas grandes cidades, as estiagens acumuladas produzem tragédias que se reproduzem em escala geométrica. Num esforço para minimizar gastos humanos, econômicos – e também eleitorais –, Brasília passou os últimos dias fechando os números de um seguro para perdas de safra e de animais.

Mineração virá devagar
Depois da confusão dos portos, o governo pretende debater o marco regulatório da mineração com base em projeto de lei, em vez de uma Medida Provisória, que precisa ser aprovada em 120 dias, no máximo. O cálculo é que a mineração desperta interesses do Plenário em quantidade suficiente para garantir uma deliberação até o final do ano.

Ação sem rastro
O governo ficou sem pistas para provar manipulação política nos saques do Bolsa Família. A empresa de telemarketing que parecia uma investigação promissora é um estabelecimento de fundo de quintal com funcionamento tão precário que, até agora, não levou a lugar algum.

Inconformismo no STF
Já há sinais, nos círculos jurídicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, de que ministros do STF mostram inconformismo ao descobrir, pela imprensa, novidades inesperadas sobre determinadas condenações no julgamento do mensalão.

Charge

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Governo cerca Eduardo Campos
Com o ingresso formal do PTB na base aliada, o Planalto acumula a quinta sigla em cinco meses, avançando num objetivo estratégico real e nunca declarado: deixar Eduardo Campos (PSB) sem ter com quem conversar.

Braga apanhou, mas ficou de pé
Depois de ter sido desautorizado pela própria Dilma durante as negociações da MP dos Portos, Eduardo Braga festejou o saldo dos vetos presidenciais. Nenhum acordo que Braga patrocinou no Senado foi derrubado pela presidenta.

ICMS desce do telhado
Com a concordância do governador Geraldo Alckmin, a reforma do ICMS desceu do telhado para ser incluída na agenda das mudanças necessárias e possíveis. Num encontro recente, um representante da Fazenda perguntou a um parlamentar do Amazonas se aceitava uma alíquota de 9% para produtos produzidos na Zona Franca. Ouviu 10% como resposta.

As boas chances de Dyogo
Sempre foram boas as chances de Dyogo Henrique Oliveira assumir, em caráter permanente, a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda. Na semana passada, elas cresceram mais um pouco.

Ideli em nova fase
O governo injetou vitamina em Ideli Salvati, que sempre foi esvaziada por ministros de Estado e emissários do Planalto, que faziam negociações diretas no Congresso deixando a ministra ora em posição decorativa, ora como trapalhona. Em reunião com líderes do governo – na presença da própria Ideli –, ficou combinado que todo ministro pode conversar com quem quiser, na hora em que desejar. Mas os acordos serão sempre coordenados pela ministra Ideli. Como ritual, a proposta não poderia ser melhor. Já que ninguém é ­calouro nessa articulação, resta saber se todos os interessados vão cumprir o combinado.

Sucata milionária

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O Exército gastou R$ 80 milhões na aquisição de 36 veículos de artilharia alemães, Gepard 1A2, que serão usados em eventos internacionais. Dois deles serão desmanchados para fornecer peças de reposição, sinal das dificuldades para suprimentos para mantê-los funcionando.

Rápidas
* O governo estuda uma saída para facilitar o financiamento de aeroportos regionais, um dos grandes nós do tráfego aéreo brasileiro. Já em estágio avançado, circula a ideia de abrir linhas de crédito no Banco do Brasil. 

* Ciro Gomes recusou convite de Eduardo Campos para sair candidato ao governo de São Paulo em 2014. Fizera a mesma coisa em 2009, quando Lula teve
a mesma ideia.

* Montadoras brasileiras já se movimentam para entregar protótipos de carros elétricos para organismos do governo. O sistema ­Eletrobras adquiriu por R$ 185 mil um protótipo da Fiat para testes. 

* A penitenciária de Linhares, em Minas Gerais, onde Dilma Rous­seff esteve presa e foi torturada, pode se transformar em centro de memória.

Retrato falado

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“A tentativa do PMDB de impedir o PT de ter candidato próprio é um golpe contra a democracia e contra o direito do eleitor de escolher o próximo governador”

Como sempre acontece, o PT está dividido em relação ao Rio de Janeiro. Lula e Dilma dão sinais de que não vale a pena arriscar a campanha presidencial, numa ruptura com Sérgio Cabral, e lançar Lindenberg Farias na disputa pelo Palácio da Guanabara. Mas petistas como Antonio Molon resistem à ideia. 

Toma lá dá cá

Cida Vieira, presidente da Associação das ­Prostitutas de Minas Gerais, falou sobre a campanha “Sou feliz sendo prostituta”  

ISTOÉ – Você concorda com a demissão do diretor responsável pela campanha?
Cida –
Não. Foi preconceito por parte do ­ministro da Saúde.

ISTOÉ – A campanha era uma apologia à prostituição?
Cida –
É preciso ver a saúde de todas as ­mulheres, sem distinção. Quatro por cento das prostitutas são portadoras do vírus HIV. Muitas até têm condições de pagar por um tratamento privado.  

ISTOÉ – O recuo teve influência política?
Cida –
Teve influência dos eleitores conservadores de São Paulo, onde o ministro quer se eleger governador. É uma hipocrisia, pois os conservadores que criticam a campanha usam nossos serviços. 

Drible do baixinho

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Romário (PSB-RJ) arrumou um problema para a Câmara ao investir R$ 60 mil na reforma do apartamento funcional onde vive. Quando encontrou uma casa em Brasília, o deputado e ex-jogador de futebol achou que já estava de malas prontas para o Lago Sul e devolveu o apartamento, mas a entrega do imóvel atrasou. Quando tentou voltar à antiga casa, ela já estava ocupada por outro parlamentar. O caso foi parar na mesa da Câmara. 

Maioria protetora
Com 80% do plenário, o governo Dilma está livre da onda de hostilidade que perseguiu os antecessores mais recentes no Congresso. FHC enfrentou 13 CPIs no primeiro mandato. Lula foi alvo de 18. Dilma encarou seis até agora. A má notícia é que há 16 requerimentos em circulação pelo plenário.

Fotos: Leonardo Prado/Ag. Câmara; Rubens Chaves/Folhapress


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